Funcionalismo  04.11.2011 22h23
Caixa paga R$ 470 milhões por folha de servidores do Estado

Banco disponibilizou valor de multa


José Cácio Júnior


Depois de mais de um ano de negociação, em conversas que começaram ainda na gestão do ex-superintendente da Regional Sul da Caixa Econômica Federal em Goiás, Moacyr do Espírito Santo, o governador Marconi Perillo (PSDB) bateu o martelo sobre a venda da folha de pagamento do Estado. Por R$ 470 milhões, a Caixa terá direito a gerenciar as contas do governo e pagar o funcionalismo estadual por cinco anos.

Autorizada pelo banco no início de novembro, a assinatura do convênio está programada para a próxima segunda-feira (7/11), no Palácio Pedro Ludovico Teixeira. Marconi pretendia oficializar o acordo nesta sexta-feira (4/11), quando a negociação foi divulgada no Diário Oficial do Estado. Com a compra, a Regional Sul da Caixa se torna uma das das principais do banco em todo o Brasil.

A compra só foi divulgada depois de o governo estadual pagar a multa de R$ 160 milhões para o Itaú pela quebra de contrato, com validade até o final de 2013. Todo banco que compra a folha de servidores de um órgão federativo paga, no início de cada ano, uma espécie de direitos pelo serviço. Os R$ 160 milhões equivalem ao valor investido pelo Itaú para continuar oferecendo o serviço. Segundo informações de bastidores, a própria Caixa disponibilizou o valor da multa, como uma espécie de contrapartida na negociação.

Além do pagamento de todos os servidores do Estado (ativos, inativos e comissionários), a Caixa gerenciará as contas bancárias das secretrarias estaduais, conta centralizadora (que reúne toda arrecadação do governo), arrecadação do Detran, Ipasgo e GoiásPrev e de todos os fornecedores do Estado.

Depois de Marconi assumir o Estado, a negociação foi oficializada na posse de Marise Fernandes como superintendente da Regional Sul. Na ocasião, o governador disse, em tom de brincadeira, que "uns milhõeszinhos não iriam atrapalhar" a discussão do acordo com a Caixa. Os "milhõeszinhos" se referiam ao valor pendente com o Itaú.

Licitação
O acordo com a Caixa poderia ter sido fechado no início do segundo semestre. Entretanto, o secretário da Fazenda, Simão Cirineu, tomou conhecido de suposto interesse do Bradesco em deter o direito de pagar o funcionalismo estadual. Dessa forma, foi aberta licitação, com lance mínimo de R$ 505 milhões. No final de julho, Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Santander mandaram representantes. Para frustração do governo estadual, não houve proposta de nenhum banco.

A negociação atual é mais vantajosa ao governo estadual, já que a Caixa disponibilizou o valor da multa. Com este acordo, o governo recebeu, entre venda da folha e multa, R$ 630 milhões.

A grande vantagem do acordo para a Caixa é o direito de gerenciar a folha de pagamento do Estado. São mais de 150 mil servidores que terão acessos a serviços financeiros como empréstimo consignado, cartão de crédito, cheque especial, limite de crédito, seguros, empréstimo pessoal, poupança e planos de previdência e capitalização, canais que garantem boa rentabilidade aos bancos.

O convênio com a Caixa começa a valer a partir do momento em que for assinado.

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Comentários

  • 22.07.2012 05:01 Por DEBRITO

    É o seguinte: se colocaram-nos na caixa,que ficamos nela. Benefícios,nela também tem. Pra que ficar gastando tempo com burocracia para ficar mudando de banco. Um abraço!.

  • 09.11.2011 08:32 Por eu gostaria de continuar com o banco Itaú.ex

    existe possibilidade de manter minha preferencia,sem gerar custos entre um banco e outro?

  • 07.11.2011 03:54 Por povo

    Vc tá chorando de barriga cheia Allysson! Vc quer que liste aqui todas as regalias dos funcionários públicos?!

  • 06.11.2011 05:14 Por Allysson Fernandes Garcia

    "(...) canais que garantem boa rentabilidade aos bancos". Quanto a nós servidores recebemos em troca a desfaçatez, a indiferença, o disse-me-disse, as promessas vazias, mas é bom manter a calma e rezar para não precisar do Ipasgo, pois instituto e prestadores também querem rentabilidade. E a saúde? Bom, essa aí só se for a das contas offshore.



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