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Ralph Rangel

Gestão compartilhada não significa privatizar ou vender

| 30.12.15 - 09:33

Goiânia - Ricardo Paes de Barros, um dos maiores especialistas do mundo em pobreza e desigualdade, disse em um artigo para a revista Época que a crise na educação é mais grave do que a pobreza. “Nossa revelada incompetência em melhorar em educação torna o problema mais desafiante e mais importante”, afirma em um trecho da entrevista ao tabloide.
 
O Governo de Goiás reconhece que ações para a melhoria da educação no Estado esbarram na burocracia, que impede o avanço. Por isso, Goiás abre as portas para um modelo inovador, a gestão compartilhada com as organizações sociais. Na prática, as OSs vão gerir as escolas com administradores profissionais e proporcionar ao diretor da unidade a responsabilidade exclusiva da parte pedagógica. 
 
Essa forma de gestão não significa privatizar ou vender, significa readequar orçamento e aumentar a qualidade de ensino, mantendo a escola pública e gratuita, ponto rotineiramente questionado. A parceria não tira do aluno, professor ou diretor qualquer direito. Pois bem. Escolas de gestão compartilhada continuarão públicas!

A Secretaria de Educação, Cultura e Esporte vem informando insistentemente que as escolas geridas por OSs não terão cobranças de mensalidade, material escolar, taxa ou contribuição. Os alunos vão continuar ingressando às universidades pelo sistema de cotas para escola pública. Os professores efetivos mantém os direitos e os temporários vão passar por um processo seletivo e serão contratados pelo regime da CLT com todos os direitos garantidos. 
 
As OSs são entidades que precisam mostrar resultados e passam por regulação e fiscalização do Estado. 
 
Diante da previsão de melhoria de uma área tão carente em todo o Brasil, questiono o motivo de secundaristas e militantes ainda se posicionarem contra o modelo de gestão, que não tira do Estado a responsabilidade da educação. Querem continuar estudando em escolas com estruturas precárias? Os mesmos que antes reclamavam do bebedouro que quebrou há mais de um ano e não foi trocado ocupam escolas na tentativa de impedir que esse mesmo equipamento seja substituído em poucos dias, situação possível com a desburocratização. 
 
A educação é o principal vetor capaz de alinhar o desenvolvimento econômico com o social, segundo o Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna. O Estado de Goiás tem tentado, sob severas acusações, ofertar uma educação pública de qualidade, com professores valorizados e alunos capacitados. A transformação do cenário brasileiro começa pelo nosso Estado e por isso tem meu total apoio. 
 
*Ralph Waldo Rangel é Superintendente de Acompanhamento dos Programas Institucionais da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte do Estado de Goiás. 

Comentários

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  • 05.01.2016 08:29 Cristiano Pires

    O problema maior nisso que eu vejo é o tipo de contratação. O governo vai deixar de fazer concurso para professores (os temporários são mais baratos) e a contratação de professores vai ser uma moeda de troca em épocas de eleição. Isso é um mal sinal. Penso que devia ter um porcentual de quantitativo de temporários, e esses temporários serem substituídos por efetivos no decorrer do tempo. E que esse 'tempo' não seja abusivo. O governo de Goiás tem mostrado que prefere contratar 'temporários' e qualquer outro tipo de profissional que não seja por concurso. Vide o caso do Simve. Isso está mal esclarecido. Não tem meu apoio.

  • 30.12.2015 15:32 Anderson Dourado

    Toda mudança e sempre bem vinda, principalmente quando vem para melhorar o que ainda resta da educação do nosso estado, e quem sabe do nosso pais.

  • 30.12.2015 14:42 Marconi Rodrigues de Moraes

    Excelente texto. Esclarece bem o verdadeiro papel das OSs

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