Entre os mais influentes da web em Goiás pelo 14º ano seguido. Confira nossos prêmios.

Envie sua sugestão de pauta, foto e vídeo
62 9.9850 - 6351

Sobre o Colunista

João Camargo Neto
João Camargo Neto

Jornalista / joaoncamargoneto@gmail.com

Expediente forense

Direito, jornalismo, chope, café e democracia

O que há em comum entre as duas áreas | 04.07.11 - 14:17

Não é incomum encontrar advogado que pretendeu cursar Jornalismo, jornalista que quis fazer Direito ou profissional que ingressou nas duas faculdades. Também é recorrente repórter entrevistar advogado sobre pautas diversas para dar mais credibilidade à matéria e advogado recorrer aos jornais para colher material para processos. O que une as duas áreas? O que há em comum entre os dois profissionais?

Dificilmente há uma pauta em que não dê para encaixar um advogado como fonte, mesmo que não nominada, nem que seja para explicar para o jornalista o assunto em questão. Há, com a invasão de páginas oficiais na internet, por exemplo, advogados especialistas em direito digital e informática, que são raros. Ao menos em Goiás, foram fontes valiosíssimas.

Direito não tem a ver com política partidária nem tampouco jornalismo. Entretanto, fato é que os jornalistas que não sabem ou não entendem um pouco de legislação e a estrutura dos poderes executivo, judiciário e legislativo se dão mal. O mesmo acontece com os advogados. Isso não significa que jornalistas precisem frequentar uma faculdade de Direito para cobrirem a área ou fazerem matérias que envolvam assuntos afins. Conhecimento de todas as disciplinas, contudo, diminui a chance de erros.

Todo jornalista é responsável por aquilo que publica. Não é em nome da liberdade de imprensa e expressão que temos o direito de caluniar, ofender, blasfemar e botar em maus lençóis reputação alheia. Muitos repórteres não sabem ainda diferenciar STF de STJ nem decoram que o primeiro é Supremo e o segundo é Superior. Erro não há no significado da terceira letra, visto que efe, sem outra possibilidade, indica federal e jota, justiça.

Para mim, uma das principais diferenças entre os dois profissionais é a linguagem. Apesar de isso já estar mudando, por causa do novo perfil da advocacia, enquanto o jornalista tem preocupação em ser o mais didático possível para que seu interlocutor engula e entenda cada vírgula, o advogado exagera nos termos técnicos e jargões próprios do juridiquês. Ao assessor de imprensa, cabe orientar o advogado assessorado a ser o mais claro possível. Ao jornalista que cobre a área, fica a tarefa de“traduzir” a entrevista do jurista sem, óbvio, mudar o teor, para que o leitor, ouvinte, telespectador e internauta compreendam toda a mensagem.

Sem querer que este texto de estreia já seja mais do mesmo, algumas dicas primárias precisam ser relembradas. Fique atento, por exemplo, aos termos empregados. Ninguém deve ser tratado como assassino sem que tenha sido condenado ou confessado o crime. Saiba que prisão temporária não é o mesmo que prisão preventiva e que em nada coincidem com prisão penal.

O jornalista tem o direito e até a obrigação de resguardar o nome de sua fonte, mas ambos têm de ter meios para comprovar o conteúdo da matéria. Imagens de menores infratores devem ser publicadas com tarjas ou distorcidas para evitar sua identificação. No texto, o jornalista não deve escrever o nome do menor.

Quem sabe a diferença entre um juiz de primeira instância e um desembargador? O que é quinto constitucional? O que são varas? Juiz aposentado pode advogar? Magistrado pode falar sobre processos que estão sob seus cuidados, pendentes de julgamento? O que é Foro e o que é Fórum? Se a imprensa não tem lei, ao menos específica, o que rege os jornalistas? Decisões proferidas pelos tribunais superiores vinculam os demais membros do Judiciário a decidirem de forma idêntica?

Estas e várias outras questões serão respondidas nesta coluna, que nasce no seio do jornal A Redação sem a pretensão de ser enciclopédica, mas tem o objetivo de ser uma ferramenta rápida e didática para elucidar temas rotineiros que, muitas vezes, nos deixam com a pulga atrás do teclado. E não me refiro somente aos poucos que cobrem o Judiciário em Goiás. Como dito no início, o Direito é pauta e fonte para qualquer matéria e veículo de comunicação.

Para finalizar, arrisco responder qual é o ponto unificador entre advogados e jornalistas. O que mais nos une, além do chope e do café, é o gosto messiânico pela democracia e a fotografia histórica das duas carreiras, tão caras à conquista e à consolidação do Estado Democrático de Direito e ao Brasil contemporâneo.


Comentários

Clique aqui para comentar
Nome: E-mail: Mensagem:
  • 18.05.2014 14:06 Lucas Ronchi Santos

    Por favor, você poderia me ajudar? Eu estou prestes a ingressar na faculdade mais precisamente agora no meio do ano. Porém estou com uma dúvida tremenda entre escolher direito e jornalismo. Sei que meu português não é tão bom quanto precisa ser mas estamos trabalhando para arrumar isso. Você por favor poderia me aconselhar ou me dar algumas dicas? Eu ficaria muito grato do fundo do meu coração. Obrigado pela sua atenção, aguardo sua resposta.

  • 27.02.2013 14:20 Alessandra Andrade

    Perfeita a sua explanação sobre esse tema, João! Sou estudante de Direito, mas APAIXONADA pelo Jornalismo. E bem como você disse em "não é incomum encontrar advogado que pretendeu cursar Jornalismo, jornalista que quis fazer Direito ou profissional que ingressou nas duas faculdades", pretendo fazer Jornalismo quanto terminar Direito. Essa é uma realidade que vem mudando ao longo dos anos... o jornalista tem se informado mais a respeito dos termos e expressões jurídicas antes de publicar uma matéria, mas ainda há muitos equívocos. Talvez pelo fato do jornalista ao pretender se aproximar do público utilizando uma linguagem mais clara e direta, se perca na própria intenção. É exatamente o oposto do que ocorre no Direito. O profissional (advogado, juíz, promotor...) faz questão de manter o distanciamento do público, se utilizando do famoso e desnecessário "juridiquês". E é justamente isso que está errado nesse sistema, já que um dos objetivos do Estado Democrático de Direito é a aproximação da justiça com o cidadão comum.

  • 18.07.2011 15:33 João Damasio

    Pois é... Eu nunca pensei em fazer direito. Estranhei de imediato seu texto, João. Mas logo relacionei vários amigos que se enquadram perfeitamente. Tentei até ir descordando para encontrar alguma ocasião em que isso tudo não se enquadre, mas o argumento final, da democracia ocupou qualquer lacuna que pudesse ser encontrada. Vou acompanhar...

  • 07.07.2011 14:56 Chyntia Barcellos

    João, seu texto é brilhante. Um grande exemplo para advogados e jornalistas que querem mais, mais saber, mais instrução, educação que são as molas propulsoras desse país. Parabéns!

  • 07.07.2011 00:06 Aline Mil

    Adorei o tema da coluna! Acredito que todo jornalista precisa de uma formação sólida em pontos importantes do Direito e que todo jurista precisa saber lidar bem com a Imprensa e com as práticas da comunicação social. Sinto muita falta de cursos e especializações que mesclem - com qualidade - as duas áreas aqui em Goiás. Parabéns, João! Serei leitora assídua.

  • 04.07.2011 23:34 ANDREA BASTOS LAGE MONTEIRO

    João, como sempre, ler um texto seu, além de prazeroso, é inspirador! Parabéns! Estreou em grande estilo, como lhe é peculiar! Sucesso!

  • 04.07.2011 22:18 Rafhael Borges

    Eu fiz um desses caminhos. Primeiro o Direito, depois o Jornalismo. No começo a dificuldade era ser didático, como você disse. Sempre achava que se eu escrevesse pouco ninguém entenderia. Sem contar que palavras simples pareciam pobres. Hoje, percebo que dá para usar o direito como fonte, e como inspiração para textos e reflexões, mas também é possível fazer do jornalismo um canal para que o direito desça do pedestal e se aproxime das pessoas.

  • 04.07.2011 21:50 Fernanda Vital

    Revi minha historia, uma quase jornalista que deixou tudo para ser advogada!!! amei

  • 04.07.2011 20:02 João Camargo Neto

    Olá. Grato pelo feedback. Estou no aguardo de sugestões. Colaborem: joaoncamargoneto@gmail.com. Abraços.

  • 04.07.2011 17:51 João Nepomuceno

    Grande João! Estou adorando ler ser seus textos. O que mais nos unessao os chopes e quentões.

  • 04.07.2011 17:38 jordana frauzino lima

    Otimo texto! falou tudo!

Sobre o Colunista

João Camargo Neto
João Camargo Neto

Jornalista / joaoncamargoneto@gmail.com

Envie sua sugestão de pauta, foto e vídeo
62 9.9850 - 6351