Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia - Goiano de Catalão, pioneiro no Mato Grosso, onde abriu fazendas e trabalhou com índios, e empreendedor na Goiânia que estava se estruturando quando chegou à cidade em 1961, o empresário Jacy Coelho comemora neste sábado, 31, na Fazenda Santa Fé, município de Goianira, seus 90 anos de idade. Casado com Maria de Lourdes Souza há 64 anos, eles tiveram quatro filhos: Eugênia Luiza Coelho Batista, Maria Luiza Coelho Barbosa, Mariza Coelho Tomé e Luiz Fernando Coelho. Já são 13 netos e 11 bisnetos.
Em 1958 ele colocava os pés numa região inóspita do Alto Xingu, onde até então nenhum homem branco tinha estado. Estava a serviço do Grupo Antônio Perez, de São Paulo, que tinha concessão para explorar 560 mil hectares entre os rios Koluene e Tanguro. Uma verdadeira aventura para quem estava na casa dos 20 anos de idade, enfrentando a mais inexplorada selva do planeta.
Foi assim a estreia de Jacy Coelho na região do Alto Xingu, conforme relatou ao jornal “O Xingu”, informativo da Associação dos Fazendeiros do Vale do Araguaia e Xingu, edição nº 49, de fevereiro de 1995. Descendo o rio Koluene até a barra do Tanguro, que a partir daí passa a se chamar Xingu, foi demarcar a Gleba Tanguro, que viria a ser o nascedouro de numerosos empreendimentos posteriores, com fazendas que hoje são a própria história do Alto Xingu.
Diplomado, tomou outro caminho
Diplomado como odontólogo em Uberaba, MG, o jovem Jacy Coelho traçaria um rumo muito diverso para sua vida profissional, quando ainda se formou em Direito, em Goiânia. Já no início da década de 1960 era sócio de uma construtora da Capital goiana, tendo, entre as muitas obras realizadas, construído um conjunto habitacional que viria se transformar no bairro Nova Suíça. Foi também nessa década que iniciou suas atividades como agropecuarista em Goiás, plantando café, criando suínos e a raça bovina Indubrasil, uma das principais vertentes da pecuária brasileira, tendo ele próprio exportado muitos animais para outros países, principalmente a Tailândia.
Foi também nos anos sessenta que conseguiu do Governo mato-grossense concessão para abrir uma fazenda de 220 mil hectares, projeto que tomaria forma definitiva em 1961, quando passou a formar a Fazenda Jaú, na margem esquerda do rio Suiá Missu. Para estas empreitadas o empresário lembra que contava com mão-de-obra as mais inesperadas, como foi o caso dos Xavantes, que o ajudaram a abrir a fazenda, e antes na região do Koluene, conseguiu trabalhar na mais perfeita paz com os índios Kalapalos.
Ainda nesse ano obteve permissão governamental para exploração de 150 mil hectares na margem esquerda do rio Xingu, na área onde está a cachoeira Von Martius, uma região que posteriormente teria parte de sua área incorporada ao Parque Nacional do Xingu e outro tanto para a Reserva Capôto, reduzindo a área do fazendeiro para 45 mil hectares.
Em 1967 abriu a Fazenda Santo Antônio e em seguida a Fazenda Malu (local onde está o Posto Malu), às margens da BR-158. Com o passar dos anos estes empreendimentos viriam se desdobrar em fazendas que hoje são um marco na colonização do Vale do Araguaia e Xingu, como as fazendas Guanabara, Suiá Missu, Tamakavi e Três Marias (Campo do Maurício).
Como todo pioneiro que adentrava aqueles ermos, Jacy Coelho ia atrás de terras para a formação de boas pastagens. Nesta lida, conviveu com conhecidos personagens da história do nordeste mato-grossense, como Ariosto da Riva, Orlando Ometto, Abelardo Vilela, Zezinho da Reunidas, Paulo Cruz Monteiro e outros.
Vinda para Goiás
As investidas da Jacy Coelho em Mato Grosso foram intensas até 1976, quando esfriou seus empreendimentos devido à instabilidade da política financeira para o setor agropecuário. Assim ficaram suas propriedades até 1985, bem localizadas entre as BRs-158 e 080, e que seriam reduzidas paulatinamente em um investimento único na região: a Fazenda Santa Helena, na criação de bovinos para corte, no município de Colíder.
Na época acreditando na estabilidade econômica que se apresentava no cenário nacional, deu sequência a outro empreendimento: o frigorífico Frigoiano. Inaugurado em 1993, foi um dos mais novos em Goiás, localizado no município de Goianira, onde o empresário toca ainda sua Fazenda Santa Fé, desenvolvendo a suinocultura, a criação do Indubrasil e ainda planta e industrializa café, na Torrefação Café Crioulo.