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Christiane Taveira

O feitiço de Harvard

A vida na melhor universidade do mundo | 25.09.14 - 23:34 Goiânia - Uma das perguntas mais comuns nas minhas palestras é “como é a vida em Harvard?”. Se por um lado, a curiosidade é um fator positivo, por outro, a questão carrega ares de missão impossível, mas o que separa os alunos de Harvard dos demais é a grande vontade que eles têm de estarem lá. 

A universidade norte-americana sempre pareceu um sonho distante para a maioria da população, até porque, nas décadas anteriores, estudar nos Estados Unidos era praticamente inacessível para uma família de classe média brasileira, principalmente em função da falta de informação e dos altos custos relacionados.

Atualmente, no mundo conectado e disponível para todos, os acessos ficaram mais fáceis e possíveis, e partindo da premissa de que caro e barato são conceitos relativos e depende muito das entregas que o indivíduo recebe, a escola internacional vale cada centavo que cobra.

Isso porque, além da excelente infraestrutura, das facilidades para realização de projetos e dos relacionamentos que são construídos, os frutos profissionais em termos de remuneração e oportunidades de trabalho chegam como uma ótima safra.


O processo de admissão na terra do Tio Sam requer um bom histórico escolar, notas mínimas nos testes de raciocínio lógico (verbal e matemática) para MBA, mestrado e doutorado e proficiência em inglês. Mas engana-se quem pensa que o teste de raciocínio lógico é impraticável. Ao contrário, a prova não exige a realização de contas impossíveis ou interpretações ambíguas, e as respostas certas são resultantes de um raciocínio lógico e coerente.

Harvard faz questão de ter os melhores e mais dedicados alunos do mundo, e muitas vezes o perfil e a vontade de ingressar na faculdade são mais importantes que a simples análise de notas. Por isso, o processo de admissão valoriza também as histórias de vida, os caminho profissionais, ações voluntárias e as relações interpessoais dos candidatos, que no Brasil, é praticamente ignorado. 

Dinheiro também não é problema se você está disposto a estudar, pois existem vários tipos de bolsas e parcerias com instituições como a Fundação Estudar e a Fundação Lemman, que incentivam o ingresso em diversas escolas americanas, inclusive Harvard. 

Já no País da ordem e progresso, os processos de seleção de mestrado e doutorado variam de acordo com as instituições, mas no geral aplicam exames similares ao vestibular, análise do tema do projeto, que muitas vezes o aluno não tem ideia de como defendê-lo, teste de suficiência em inglês, teste oral, avaliação do currículo acadêmico, publicações e projetos de pesquisa. O histórico profissional e o perfil dos candidatos, na maioria das vezes, não são considerados como critério de seleção.

Para a Harvard Business School, um dos desafios da inscrição é escrever uma dissertação sobre o porquê de querer entrar e como a pessoa acha que contribuirá com a turma, lembrando que se você pretende estudar no coração nerd de Boston, prepare-se para ter opinião, pois os professores estão muito mais interessados em saber o que pensam os alunos e o porquê de suas conclusões. 

Uma vez que toda inscrição é concluída pelo site, as respostas chegam por e-mail e, sem dúvida, um dos grandes momentos para 
quem é aprovado no processo de seleção, é receber um e-mail com o título Welcome to Harvard! De repente tudo se transforma, e a chegada ao Campus da Harvard Business School, por exemplo, já é, por si só, uma experiência única.

É difícil segurar a emoção ao atravessar os pórticos de tijolos escuros que demarcam as várias entradas de uma das melhores escolas de negócios do mundo. O lugar é rodeado de árvores e forrado pelo verde da grama impecável, que mais parece um tapete de luxo geek. Os tons terrosos dos prédios se misturam ao ambiente bucólico e silencioso que insiste em exalar um cheiro especial, criado a partir do conhecimento de grandes líderes que em suas passagens, deixaram histórias e bagagens à disposição desta grande fonte.

No primeiro dia de aula, alunos de diversas partes do mundo já sentem o peso da instituição, que a esta altura já lhes enviou cerca de 400 páginas para a leitura da semana, informações sobre a infraestrutura disponível, relação dos professores e colegas de turma com fotos, currículos, resumos e contatos, e apresentação da equipe de apoio, que além de tratar as pessoas como se fossem as mais importantes da Terra, anotam a quantidade e a qualidade dos comentários feitos por cada uma delas em sala de aula.

O método de ensino também é totalmente diferente do método brasileiro. É estruturado em estudos de caso, sinalizando questões para discussão que provocam a imersão da teoria segundo aplicações práticas, por isso, é tão importante que as pessoas se preparem para as aulas, pois o aprendizado caminha na proporção do interesse dos aprendizes.

As instalações do campus são simples e suficientemente confortáveis para garantir uma estadia produtiva. As suítes não possuem televisão, apenas computadores e mesas de estudos, até porque em Harvard você não tem muito tempo para outra coisa, se não estudar. 

No ciclo de aprendizado, networking é fundamental, e a cada dia, seu nome é marcado ao lado de diferentes pessoas posicionadas dentro da linda meia lua de mesas e cadeiras que se forma à frente das bandeiras de vários países do mundo. Cafés, almoços e jantares também são poderosas ferramentas promovidas para estreitar os laços de afeto. A biblioteca é o ponto central da Escola de Negócios, quase um parque de diversões para os amantes da literatura e do conhecimento. 

Na Harvard Business School, regras são regras, e não existe espaço para o “jeitinho brasileiro”. Se a academia de ginástica está fechada - que por sinal é 10 vezes maior, que a maior academia brasileira, volte outro dia. Se as quadras de tênis estão interditadas, é preciso paciência, e se tiver grupo de estudos marcado para domingo, às 7 horas da manhã, seja pontual.

A vida em Harvard é uma experiência de outro mundo. É como se em algum momento você pegasse o Expresso de Hogwarts, um trem que transporta os alunos de magia e amigos de Harry Potter, da Estação King’s Cross para a Escola de Magia e Bruxaria e tivesse aprendido um feitiço transformador e poderoso, proferido pelas seguintes palavras: “que o mundo seja do tamanho que você quiser. Porque em Harvard, ele é!”.

*Christiane Taveira é presidente do Estrategistas.com.br e diretora de Gestão da Associação de Jovens Empreendedores e Empresários de Goiás (AJE Goiás).

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