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Gerson Tertuliano

Horário de Verão – De volta a polêmica

População não pode ser sacrificada | 20.10.14 - 20:16
 
Goiânia - O horário de verão 2014 começou na noite de sábado, dia 18 de outubro para o domingo dia 19 de outubro, e os relógios foram adiantados em uma hora a partir da meia noite. Durante os quatro meses seguintes querendo ou não, teremos de nos adaptar às muitas mudanças que ocorrem com nossa rotina, o nosso relógio biológico e nosso modo de vida. Seu final está previsto para terminar na noite de sábado, dia 15 de fevereiro para o domingo dia 16 de fevereiro, e os relógios devem ser atrasados em uma hora a partir da meia noite e até lá não temos como recusar a adotá-lo, é lei.
 
O principal objetivo alegado pelo governo da implantação do horário de verão é o melhor aproveitamento da luz natural ao entardecer, o que proporciona substancial redução na geração da energia elétrica que se destinaria à iluminação artificial, com a consequente redução da demanda máxima do Sistema Interligado Nacional (SIN) no período de ponta, mas esta justificativa tem muitos pontos questionáveis e não explicados claramente.
 
A história do horário de verão no Brasil começou na década de 30, pelas mãos do então presidente Getúlio Vargas e depois de muitos anos esquecido, a medida ressurgiu em 1985 por decreto do presidente José Sarney, e desde então, não deixou de ser adotado em nenhum ano.
 
O horário de verão foi cogitado pela primeira vez em 1784, por Benjamin Franklin, nos Estados Unidos onde a argumentação foi que observando durante parte do ano, nos meses de verão, o sol nascia antes que a maioria das pessoas se levantasse, e, se os relógios fossem adiantados, a luz do dia poderia ser melhor aproveitada, e a maioria da população passaria a acordar, trabalhar e estudar em consonância com a luz do sol, e com isso não se consumiriam tantas velas nas fábricas e residências daquela época.
 
A Alemanha que saia de uma grande guerra que devastou sua infraestrutura e que precisava que os alemães trabalhassem o máximo com a luz natural fugindo das baixas temperaturas sem a luz solar foi o primeiro país do mundo a adotar o horário de verão.
 
Fiz este breve histórico da origem do horário de verão, para mostrar que os tempos eram outros, as causas eram outras, os recursos tecnológicos idem, e, portanto, temos de rever conceitos importantíssimos nos dias atuais, pois entra ano, sai ano, somente discutimos o horário de verão às vésperas de sua implantação e não são consideradas as questões técnicas e o contexto atual. Sem explicações convincentes às mesmas questões, tomam conta de noticiários da televisão, dos jornais e das rodas de conversa, ou seja: Será que este horário de verão gera a economia anunciada pelo governo? Será que nossa saúde é afetada? Será que temos saída para não aceitá-lo e sair da obrigação?  Vamos então ponderar alguns fatores para reflexão:
 
- No âmbito do governo não se apresenta a metodologia e o cálculo que mostram as reduções indicadas, apenas gráficos comparando curvas de carga de alguns dias;
 
- A necessidade de alívio da demanda máxima é questionável, no meio da tarde com o as temperaturas altíssimas registradas nos últimos anos no verão, tende-se a ligar os equipamentos de ar condicionado e os compressores dos refrigeradores (escritórios, escolas, comércio etc.) com maior frequência com consequente maior demanda de energia e isto se reflete nos transformadores que ficam carregados ao limite máximo, no meio da tarde. Não custa lembrar que a temperatura influencia diretamente na potência do transformador, acarretando maior demanda do sistema.
 
- O grande responsável pelo pico de demanda são os chuveiros elétricos e estes continuarão a ser utilizados no final da tarde quando o trabalhador chegar em casa com ou sem horário de verão.
 
Na iluminação tanto pública quanto residencial, as lâmpadas atuais não são mais de filamento/incandescentes (proibida a fabricação), e hoje são de alta tecnologia e consomem pouco, além de que seu acionamento é feito por relés fotoelétrico  que independem do horário de verão. Eles são acionados pela falta de luminosidade, portanto a iluminação artificial pode contribuir muito pouco.
 
Estes fatores somados a vários outros, como a constatação de que os últimos picos de demanda e apagões se deram no período da tarde, nos leva a concluir que hoje a ponta do sistema se dá no período da tarde, e não coincide com o período de iluminação pública, e, portanto não é o horário de verão que atenuará o pico de consumo nas horas de ponta. A solução do problema seria a adoção de programas alternativos como a de geração de aquecimento de chuveiros por energia solar, investimentos em novas linhas de transmissão e reforço das existentes aumentando a confiabilidade do sistema de transmissão, o uso de medidores de energia inteligentes para controle do consumo entre outras.
 
Para finalizar deixando a técnica de lado, não é mais possível debitar à população este sacrifício de todo ano ter que acertar seu relógio biológico sem uma justificativa realmente convincente, e de resultados comprovados. É preciso que nossos representantes políticos iniciem uma ação para se for o caso tirar Goiás deste programa que salvo maior juízo traz mais prejuízos que benefícios.
 
*Gerson Tertuliano é Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Goiás (SENGE-GO), engenheiro eletricista e de segurança do trabalho.
 
 

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