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Marcia Esteves Agostinho

Por uma Educação de qualidade em grande escala

O estudante precisa ter experiências | 07.08.15 - 16:16
Goiânia - As mudanças trazidas por inovações tecnológicas que interconectam pessoas em tempo real vão muito além da forma como nos comunicamos. Seu poder de transformar estruturas hierárquicas em redes de decisão distribuída transpassa, potencialmente, todas as áreas da convivência humana – inclusive a universidade.
 
Do ensino à distância(EAD) aos Massive Open Online Courses(MOOCs), já são tantos os exemplos de introdução de novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) no ensino que nem faz mais sentido considerá-los inovadores.  Além disso, o simples fato de disponibilizar conteúdos – por melhores que sejam – para acesso em todo o globo não garante educação, muito menos de qualidade. Para tal, mais do que informação, é preciso que o estudante tenha experiências significativas.
 
No sentido de propiciar esse tipo de experiência, começam a surgir modelos de universidades que trocam a sala de aula tradicional pelo aprendizado ativo, em cursos de imersão interdisciplinares, através de trajetos curriculares customizados.  Contudo, a rigor, também não podemos considerá-los inovadores.  Embora adaptada às restrições e possibilidades atuais, a estrutura deste modelo educacional nos remete ao fenômeno inglês do século XVIII conhecido como “Grand Tour” – a grande viagem educacional que os jovens aristocratas realizavam pelo continente europeu. Além de um rito de passagem para a vida adulta, a viagem representava a oportunidade de entrar em contato direto com a herança cultural da Renascença.
 
Ainda que a viagem (que podia durar anos!) exigisse uma considerável soma de recursos, não bastava ser rico.  Era preciso encontrar o tutor certo para guiar o rapaz por caminhos que pudessem, de fato, contribuir para sua formação.  O tutor precisava ser alguém de reconhecido saber, capaz de adequar o “itinerário” tradicional aos interesses específicos do jovem sob sua orientação.  Mais do que informações e o domínio de uma nova língua, a viagem garantia experiências significativas que lavavam a um aprendizado para a vida. No início, esse tipo de formação era um privilégio da aristocracia.  Porém, com a introdução das estradas de ferro – uma inovação tecnológica paradigmática –, o fenômeno se estendeu à classe média.
 
Ampliar a educação de qualidade: este é o desafio que precisamos encarar.  De que forma exemplos como essespodem se tornar escaláveis?  Como podemos oferecer a milhões de alunos espalhados por todo o Brasil uma formação geral sólida que os permita adquirir conhecimentos específicos úteis e atualizados ao longo da vida?
 
A resposta está na rede.  Não a rede no sentido da internet ou das redes sociais, embora reconheça que elas façam parte da solução.  Refiro-me à rede como uma estrutura de organização sistêmica.Neste modelo, cada professor funcionaria como um tutor que guia o Grand Tour de seus alunos através das expertisesdisponíveis entre os docentes e centros de conhecimento de uma universidade, promovendo experiências significativas.
 
Se unir tecnologia à criatividade organizacional, a universidade terá a oportunidade de, de fato, inovar e, assim, influenciar o destino a favor dos estudantes.  Da mesma forma que as estradas de ferro levaram o Grand Tourda aristocracia do século XVIII para a classe média do século seguinte, as TIC podem ajudar a trazê-lo para o século XXI.
 




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Marcia Esteves Agostinho
é Doutora em Engenharia de Produção e atua como professora e pesquisadora na Universidade Estácio de Sá






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