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Ana Márcia Guimarães

Autismo e o diagnóstico precoce

| 18.04.16 - 18:13

Goiânia - O diagnóstico precoce de transtornos do desenvolvimento infantil, sobretudo o autismo, é mais que um desafio para os profissionais que trabalham com crianças: é uma obrigação!
 
O diagnóstico precoce permite intervenções que possibilitarão habilidades fundamentais para estas crianças em desenvolvimento, como aquisição da linguagem, melhor interação social e menos sofrimento em todo o funcionamento adaptativo desta criança, desde de bebê a adolescente e adulto jovem.
 
As pesquisas mostram que a maioria das famílias de crianças que evoluíram dentro do espectro autista trouxeram preocupações pertinentes aos profissionais de saúde a respeito do desenvolvimento atípico de seus filhos. Daí nosso grande esforço em sensibilizar os pediatras, psicólogos e educadores a estarem atentos aos sinais precoces de transtornos do desenvolvimento.
 
Muitas crianças apresentam alterações apenas qualitativas da linguagem e da interação social - o que dificulta o diagnóstico precoce, tornando-se necessário uma avaliação profissional. Mas se famílias e educadores estiverem atentos a sinais sutis de desenvolvimento atípico, tornar-se-ão nossos aliados nessa missão de reconhecer e estimular precocemente estas crianças que, por uma predisposição genética e fatores ambientais, estão dentro do espectro autista. 
 
Os bebês ainda com quatro meses podem ser avaliados quanto à sua reciprocidade afetiva, que é a resposta social à estimulação afetiva do outro: eles olham demoradamente para os olhos dos cuidadores, sorriem e emitem gritinhos de alegria e satisfação, bem como reagem diferentemente a estímulos diferentes.
 
Nesta idade precoce pode-se chamar a atenção dos pais e dos profissionais os sintomas de perturbação no sono e o choro persistente sem correlação com uma patologia clínica.
 
Depois de seis meses de idade, a criança adquire a habilidade da atenção compartilhada, que é a capacidade de dividir com um parceiro social um objeto ou evento interessante, trocando olhares, apontando, entregando objetos ou apresentando gestos antecipatórios (dar os bracinhos quando percebe esta intenção no outro).
 
Já depois de um aninho de vida, a criança tem que ser capaz de expressar-se também por  comunicação não verbal, utilizando mímicas, gestos, imitação e o apontar, além de responder ao ser chamado pelo nome.
 
É importante ficar atento ao brincar da criança, avaliando se ela consegue se envolver no faz de conta, nas brincadeiras de esconder o rosto, se usa os brinquedos funcionalmente ou prefere partes de objetos, se dispõe os brinquedos de maneira obsessiva, enfileirados por tamanhos ou cores. 
 
Estes são todos sinais de comprometimento no desenvolvimento infantil.
 
Para o diagnóstico e subsequente intervenção precoce precisamos de uma força tarefa entre família, profissionais de saúde (pediatras, psicólogos, fonoaudiólogos) e educadores (escola, pedagogos). 
 
Na idade escolar e adolescência chama a atenção o isolamento da pessoa. Nesta fase eles precisam pertencer a um grupo e o autista pode ter chegado até aqui sem o diagnóstico, enfrentando dificuldades sociais e afetivas.
 
O isolamento nesta idade é sempre um sinal de alerta, porém o autista prefere ser solitário, não se incomoda de ficar excluído dos grupos sociais, pode apresentar comportamento ritualístico e obsessivo, não suporta repartir seu espaço íntimo com outras pessoas e nem tolera mudanças bruscas de rotina ou que mexam em seus pertences. Também pode ter interesse exagerado em um tema específico e habilidades excepcionais em algumas áreas, como desenho e memória.
 
Fique de olho! Existe um tempo ótimo para estimulação precoce e não podemos deixar pra depois!
 


*Ana Márcia Guimarães é médica pediatra pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
 

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