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Sergio Calura

O mundo que você conhece deixará de existir

| 09.03.17 - 16:57

Goiânia - A maioria de nós tem pouca consciência deste fato. Sim, o mundo como conhecemos, em poucos anos deixará de existir e esta mudança já está em andamento. Estamos vivendo a chamada era cognitiva da Quarta Revolução ou Indústria 4.0. São tempos de mudanças radicais, complexas, aceleradas, e disruptivas. Essa revolução está sendo impulsionada pela convergência de várias ciências e das tecnologias, como robótica, inteligência artificial, engenharia genética e física quântica.
 
O primeiro indicativo dessa mudança é o atual modelo que a humanidade utilizou e ainda utiliza para prover seu sustento e crescimento econômico. É o modelo baseado na produção em massa e no descarte, em produzir sempre mais e mais. Os últimos 30 anos foram marcados por um dos períodos de maior crescimento econômico que o mundo já viveu, As exportações mundiais cresceram de um patamar de menos de US$ 1 trilhão para aproximadamente US$ 10 trilhões por ano.
 
Mas este crescimento pujante esconde outras faces menos nobres da economia globalizada. Treze por cento (13%) da população mundial, ainda vive em extrema pobreza, 800 milhões de pessoas passam fome e 2,4 bilhões não têm acesso a saneamento básico (ONU, 2016). Nos últimos 30 anos de economia crescente, consumimos 33% dos recursos naturais da terra, e foram destruídos 80% das florestas originais do planeta. Outra face obscura do modelo industrial é o descarte e a produção de lixo. Para cada lata de lixo que geramos 70 outras latas são produzidas para gerar esse mesmo lixo, de tudo que compramos 99% vira lixo em menos de 6 meses.
 
O mesmo modelo que nos permitiu o acesso a bens de consumo e prosperidade para grande parte da população mundial, também nos impõe condições de trabalho desgastantes e desumanas. Nunca estivemos tão doentes, com enfermidades psíquicas e físicas provocadas por nosso estilo de vida degradante. É o mundo de exploração, da competição e do individualismo. O mundo dos lucros a todo custo, do consumismo, do descarte e da desigualdade. É o modelo que trata todos os recursos finitos do planeta como se fossem infinitos. É o modelo que se encerra em si mesmo.
 
O outro indicativo de que já estamos no olho do furacão das mudanças é a forma como já estamos sendo afetados pela Quarta Revolução. São produtos e serviços inovadores que estão mudando a forma com que trabalhamos, vivemos e nos relacionamos. A internet, a evolução exponencial das tecnologias digitais, e a popularização dos dispositivos móveis como os smartphones, têm nos possibilitado uma nova forma de organização social. Estamos migrando do modelo de organização linear para o modelo de organização em redes.
 
Estamos agora hiperconectados, nosso ciclo de relacionamento local passa a ser global. Temos acessos a produtos e serviços de todo o mundo. As barreiras territoriais desapareceram. Estima-se que em 2035 o mundo terá 1 bilhão de nômades digitais, pessoas sem residência fixa e que trabalham de forma temporária nas diversas partes do planeta. 
 
A sociedade organizada em redes é complexa, dinâmica, abundante e flexível. Funciona com inclusão, com variáveis, com diversidade. São pessoas se aproximam de acordo com seus interesses e necessidades, independente de cor, sexo, língua ou credo religioso. 
 
Nossos empregos também serão profundamente afetados. Segundo Weiner, do LinkedIn, o modelo de escolha da profissão, em que as pessoas decidem o que vão fazer pelo resto da vida quando optam por um determinado curso na faculdade e seguem essa escolha pelo resto da vida, está com os dias contados. “Todos precisamos estar abertos à ideia da educação contínua”, alertou. Isso significa que precisaremos nos aprimorar constantemente e estarmos sempre dispostos a trocar de área para seguir as demandas do mercado. Na sociedade em rede o título cai por terra e dá lugar ao talento. As pessoas serão contratadas pela sua capacidade de realização e não por um título ou cargo. 
 
Já estamos presenciando a extinção de vários tipos de empregos.  O Watson, o supercomputador cognitivo da IBM, chegou ao Brasil em 2014 e está quase fluente na língua portuguesa para atender aos clientes do banco Bradesco, via call center. Fábricas na Europa, China, Japão e EUA já funcionam somente por robôs, sem a presença de mão de obra humana. No banco JPMorgan, uma máquina está analisando acordos financeiros, o robô faz em segundos o que demorava 360 mil horas para um advogado fazer. 
 
O Fórum Econômico Mundial prevê que a inteligência artificial pode eliminar mais de 7 milhões de empregos nas 15 maiores economias nos próximos anos. A automação de produtos e serviços já cresce de forma exponencial. Por outro lado novos tipos de trabalhos serão criados. Em nenhum outro tempo, tivemos acesso a tantas ferramentas, recursos e conhecimento para a criação de novos negócios. 
 
Novas habilidades serão necessárias para explorar esse mundo que nos abre. É o mundo do propósito, da colaboração, do compartilhamento e da criatividade.  Temos agora a oportunidade de construir uma era de prosperidade sem precedentes para a humanidade. Empresas que possuem um propósito voltado para questões ambientais, sociais e com características inovadoras no seu DNA crescem em média 3,5 vezes que empresas tradicionais no mesmo segmento.
 
O fato é que os tempos realmente são outros, essas mudanças já estão acontecendo e todos seremos afetados, pessoas, organizações e nações. A questão não é mais quando e onde, e sim como cada um de nós será afetado. As opções são duas, achar que tudo isso é apenas uma ficção, um filme Matrix e entrar em negação ou se abrir para o novo que surge, para a evolução de uma nova consciência. Bem vindo ao século 21.
 


*Sergio Calura é Consultor de Transformação e Inovação de Negócios. 
 

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