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Pablo Kossa
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Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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Como demitir alguém sem perder o respeito

Caso de técnico do Flamengo é emblemático | 13.05.14 - 11:57

A polêmica futebolística do início dessa semana é a demissão do técnico Jayme de Oliveira do Flamengo. Após a derrota no clássico contra o Fluminense no domingo, ontem (12) o treinador ficou sabendo pela imprensa que não tinha mais seu emprego.
 

Em seu dia de folga, ele estava indo curtir uma praia com a esposa quando seu celular começou a tocar incessantemente. Repórteres dos mais diversos veículos de comunicação telefonavam para saber sua opinião sobre a demissão. Ele repetia que não sabia de nada. Como a história do marido traído, até mesmo seu substituto já estava definido. Ney Franco já havia pedido desligamento do Vitória e saía de Salvador para assumir seu novo clube.
 

Não há outra palavra para definir o que fizeram com Jayme senão sacanagem. Se você acha esse termo pesado, podemos substituir por deselegância. Eu acho que esse segundo termo ameniza demais o que de fato aconteceu. Triste.
 

A atitude correta seria jogar limpo com o técnico já no vestiário, logo após a partida contra o rival tricolor, e colocar a situação em panos limpos. Pode ser o mais constrangedor, mas é o correto a fazer. O que gente decente faz.
 

Mandar alguém para o olho da rua nunca é situação tranquila. Se assemelha muito ao término de relacionamento. Você chama a pessoa para uma conversa em que as duas partes já sabem do fim. A explicação das motivações costuma amenizar os reais problemas para evitar mais estresse e os dois lados saem com chagas que vão demorar um tempo para serem cicatrizadas. É difícil, mas é assim que deve ser feito.


A forma como os diretores rubro-negros agiram não é digna da altura do posto que ocupam. A honra de Jayme (que até onde se sabe foi um profissional exemplar) foi achincalhada, ele foi exposto de forma que ninguém merece passar. A atitude mostrou mais que amadorismo da diretoria flamenguista, explicitou também um pouco do caráter de quem dá as cartas. E, cá entre nós, o que veio à tona não foi nada bonito.
 

Particularmente, achei a demissão de Jayme precipitada. Não acredito que os resultados medianos que o time vem acumulando são de responsabilidade do comandante que fica no banco. Com o elenco que está disponível para o cara trabalhar, não é segredo nem para o rubro-negro mais apaixonado que a ambição máxima do time é uma vaga para a Copa Sul-Americana. E o cara tem currículo para mostrar que é capaz de tirar leite de pedra ao vencer a Copa do Brasil do ano passado e o Carioca de 2014.


Mas infelizmente essa é uma tradição flamenguista: apelar para as soluções caseiras em momentos de crise e, depois que os caras surpreendem e conquistam algo até então inimaginável, terminam a relação da pior forma possível. Jayme só reviveu aquilo que Andrade já havia sentido na pele.


Não dizem que persistir em um erro é burrice? Nesse caso, além da falta de inteligência revela a índole dos responsáveis.  


Comentários

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  • 13.05.2014 12:58 Anapaula de Castro Meirelles

    Eu sou fã não é à toa. Ótimo ponto de vista. Saudações esmeraldinas.

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