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Pablo Kossa
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Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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O bom e velho PMDB

Apoio de partido não é garantia de muita coisa | 11.06.14 - 08:01

Ah, o bom e velho pemedebismo… O apoio do partido à candidatura de Dilma Rousseff é tão confiável quanto elogio de profissional do sexo. Após o prazer, frases dignas de entrar para os anais das performances sexuais: "nunca me deitei com alguém como você", "eu nunca havia sentido isso antes", "foi a melhor experiência da minha vida". Tudo superlativo, tudo aumentado. Antes da ebriedade do momento passar, ela já está pedindo a grana que você lhe deve e pensando no próximo para o qual dirá os mesmos elogios.

O problema é da prostituta? É claro que não. Ela está no papel que lhe cabe de satisfazer quem desembolsou seus reais por prazer. Trouxa é quem acredita e toma como verdade os elogios. Na política, trouxa de quem confia inteiramente no apoio do PMDB.

O PMDB nunca entrou de cabeça em campanha nacional alguma desde a redemocratização. Ulysses Guimarães e Orestes Quércia não me deixam mentir. Fernando Henrique Cardoso e José Serra também. Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma sentiram isso de leve. A presidenta vai conhecer a dose de ter um aliado dúbio nessa eleição que se desenha complicadíssima para a petista, vide a desidratação lenta, gradual e inegavelmente progressiva de sua intenção de voto. Quanto menor a chance de vitória, menor será o empenho dos caciques regionais na caça ao voto para Dilma. 

Na prática, o PMDB mostra uma coerência: sempre esteve junto da maior perspectiva de poder. E, caso algo desse errado no meio do caminho, a adesão ao dono do poder da vez nunca foi algo constrangedor. Da eleição indireta de Tancredo Neves até hoje, somente o curto período em que Fernando Collor ocupou a presidência teve o PMDB na oposição. Como eu disse, uma coerência extrema com o poder.

A raiz do partido calvez explique essa prática. A sigla foi criada com a aglutinação de toda oposição ao regime militar que não havia sido exilada, encarcerada ou morta. Não havia identidade entre os que integrantes do MDB, apenas o fato de que não compactuavam com as diretrizes impostas pela caserna. Não havia a centralidade paulista e intelectual que até hoje caracteriza o PSDB, que nasceu da costela do PMDB. Tampouco os núcleos de base de origem sindical ou dos movimentos populares que até hoje compõem o núcleo duro do PT. O PMDB é um balaio de gatos desde seu nascimento. E essa bagunça é que garante sua relevância no cenário político até hoje.

O partido sempre é forte nas disputas regionais, é enraizado nos municípios. Mas essa capilaridade não se reflete em força nacional por conta da extrema heterogeneidade de sua própria formação. Por isso, o que o PMDB tem de melhor a oferecer são seus valiosos minutos de rádio e televisão, já que, no final das contas, cada líder vai agir como bem entende mesmo. 

E Dilma, que não é boba, sabe muito bem disso. Por isso tem consciência que a disputa de 2014 será bem mais dura que a de 2010.


Comentários

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  • 11.06.2014 10:15 Anapaula de Castro Meirelles

    O PMDB, que sempre é aliado quando há uma boquinha, já cravou a espada no governo por não ganhar outro ministério. E, ao aderir ao velho modelo de fazer alianças, vigente desde as Capitanias Hereditárias, o PT já deveria ter percebido e claro que sabe, que em prostíbulo não há fidelidade, muito menos amor.

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