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Pablo Kossa
Pablo Kossa

Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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Está na hora de acabar com o horário eleitoral gratuito

Programas não têm serventia alguma | 26.08.14 - 11:45

Goiânia - Vamos colocar as cartas na mesa: o horário eleitoral gratuito não serve para nada. Nada mesmo. Não serve ao candidato, não serve à população. Sua existência não tem mais o menor sentido.

Parte considerável (a maior?) do orçamento de uma campanha majoritária é dedicada à produção dos programas de televisão e rádio de um candidato. É muita grana para bancar locações, estúdios, atores, locutores, apresentadores, câmeras, equipamentos mil... Enfim, a lista é grande. O custo, idem.

A raiz da corrupção brasileira, que está na fortuna doada legal e por fora às campanhas, tem como forte contribuinte a existência do horário eleitoral. Se uma das premissas da eternamente prometida e nunca concretizada reforma política é o barateamento das campanhas, acabar com os programas seria um grande passo nessa direção.

Além disso, o horário eleitoral não ajuda em nada a escolha do eleitor. Você confia em um comercial de determinado refrigerante falando que ele é o melhor? Pois é, eu também não. Pelo simples fato de que aquilo é comercial. Ou seja, é para vender. Não há compromisso real com os fatos. O princípio que norteia tudo ali é a tentativa convencê-lo a comprar determinado produto. No caso das campanhas, votar em um candidato em detrimento de outro.

Quem se baseia nesses programas para decidir o voto está usando uma mentira publicitária como apoio. O que inegavelmente é um equívoco.

Como substituição, uma ideia seria a instituição do debate semanal obrigatório. Em duas horas por semana, os candidatos a cargos majoritários seriam obrigados a conversar entre si ao vivo, com regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral e transmitidas em cadeia de rádio e TV. Embora aqui também seja possível a ação escamoteadora dos marqueteiros, o ambiente poderia ser mais revelador do que como é feito atualmente.

Por ser ao vivo, o acaso pode mostrar sua cara e deixar com que o eleitor conheça mas a verdade de cada postulante. Seria uma informação com menor tempo total de exposição, mas com vantagens na qualidade daquilo que é apresentado. Mas conversa franca, menos imagens sentimentaloides.

Para os cargos proporcionais, a campanha tem que ser na rua mesmo, no corpo a corpo. Ali é que se ganha o voto para quem quer ser representante da sociedade nos parlamentos. Gosto da ideia do voto distrital misto. Nesse caso, o contato teria que ser ainda mais intenso. Definitivamente, não são aqueles poucos segundos televisivos ou radiofônicos que ganham o voto para quem pleiteia esses postos.

Por fim, seríamos poupados da chuva de bizarrices que atola o rádio e televisão nesse período. Com o fim do palanque eletrônico, o candidato teria que encarar o mundo real, com menos comercial de si mesmo e mais olho no olho da população.

Será que alguém compraria essa briga no Congresso Nacional?


Comentários

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  • 03.05.2017 20:27 RADICAL

    Ouvir esta gente no rádio e na tv é pior que ouvir Funk

  • 20.09.2014 19:28 glycon

    poxa, é uma das melhores coisas q a TV brasileira tem !! vc quer acabar ? vai por oq no lurados simpáticos futuros representantes legais da Nacao? ????

  • 27.08.2014 14:59 Raphael

    Não confio em um comercial de determinado refrigerante falando que ele é o melhor porque isso é um argumento tolo. Assim como não confio em uma propaganda eleitoral de um determinado candidato se ele apresentar o único argumento que é melhor que o outro candidato. Nos dois casos, do produto e do candidato, tem que haver argumentos persuasivos que sejam capaz de convencimento para vender uma ideia e/ou um produto. A propaganda política no Brasil por ser gratuita é mal feita por não estarem pagando a mídia. E nesse ponto concordo que deva extinguir a propaganda eleitoral gratuita e que passe a cobrar por cada inserção, seja na tv ou no rádio. Diminuiria as bizarrices e teríamos roteiros eleitorais mais bem elaborados.

  • 27.08.2014 09:20 Augusto

    Um bom texto. Uma análise equivocada. O que deixa caro uma campanha não é a televisão ou o rádio. O que deixa caro é a compra de apoio em um sistema onde líderes, vereadores, prefeitos e deputados cobram dos majoritários suas estruturas de campanha. O que deixa caro é o eleitor que só coloca o adesivo com litros e litros de combustível semanais. O que deixa caro é uma imprensa que só noticia cobrando ao invés de cobrir jornalisticamente. O que nos custa mais caro é o baixo nível de envolvimento da população, que termina com políticos comprando votos e não devendo mais nada aos eleitores.

  • 26.08.2014 23:24 Néviton César Leão

    Sabe de uma coisa Pablo Kossa concordo com tudo que relatou neste texto. Mas uma coisa que não entendo e acho que nunca irei entender para que existe o TSE e o TRE neste país. Não fazem nada. Pois o Brasil o Estados que estes candidatos mostra e suas ideias e de livro de historinha infantil superou as Livros escritos por Monteiro LOmbato etc. O correto seria no momento que um candidato mostre mentira, denigre o adversário o horário politico seria interrompido voltaria a programação normal e o partido deveria pagar uma multa onde o dinheiro seria revertido em pro de melhoria nas casa de apoio aos Drogados, asilos, Construção de Creches, Presídios etc. e a retirada da legenda do pleito eleitoral. Ai sim quem saiba melhore a administração no país. Temos que acabar com a reeleição, ter somente duas legenda acabar com esse monte de partidos, acabar com a profissão politico, cada um ter somente o salario de sua profissão uma secessão por semana para discutir pauta de beneficio a sociedade e ao desenvolvimento do pais.

  • 26.08.2014 18:03 JULIO SOARES

    Já faz tempo que esse abuso deveria ter acabado, e não considero abuso o show de horror e comédia realizado pelos candidatos legislativos, e sim o profundo desrespeito que os candidatos executivos nos traz. Afrontam a inteligência dos eleitores com uma demagogia infinita, cito como exemplo os apelidos dados aos personagens de campanha, dos tucanos o ``mineirinho``, dos petistas o ``serapião``, chega à irritar.

  • 26.08.2014 16:06 Retroagido

    Acho que não é bem por aí. Quantos por aí só ficam sabendo quem algum conhecido que porta características adequadas, como honestidade e caráter, só está concorrendo após ver o programa eleitoral?? Enfim, tem ainda resquícios de utilidade.

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