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Pablo Kossa
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Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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Junho de 2013 para outubro de 2014

O que dos protestos sobrou nas eleições? | 07.10.14 - 11:46


Goiânia - Fui estratégico e deixei para assistir ao filme Junho – O mês que abalou o Brasil de João Wainer, na sexta-feira, que precedeu o pleito de primeiro turno. Minha intenção era ver o quanto daquele movimento de insatisfação amorfo seria refletido nos resultados eleitorais. Outros articulistas perceberam ecos. Não penso da mesma forma.

O documentário produzido pela Folha de São Paulo mostra como o início das manifestações, que se pautavam pela mobilidade com foco principal na contrariedade ao reajuste da passagem, ganharam aquele ar de “não aceitamos nada que está aí”. Da cruel repressão policial ao lavar de mãos feito pelas autoridades para a quebradeira, do começo com pauta definida até desembocar ao ato de reivindicação contra tudo. O filme vai recapitulando, dia após dia, a transformação da movimentação popular, o novo olhar da mídia que se reposicionou no meio do processo e a chegada da Copa das Confederações como cereja do bolo.

Entre a narrativa bem amarrada pelo roteiro, jornalistas, intelectuais e partícipes dos protestos prestam depoimentos sobre o que ocorreu. Em uma dessas falas, uma reflexão pertinente: não há segmento algum satisfeito com o caminho trilhado pelo Brasil. Da extrema direita à extrema esquerda, do ruralista ao ambientalista, do playboy de Higienópolis ao mano da quebrada. O poder público não consegue deixar ninguém feliz com seus atos. Dessa insatisfação ampla, geral e irrestrita chegamos às eleições de 2014.

Se percentualmente a renovação de nomes pode até ser considerada alta para a Assembleia Legislativa (60%) e das vagas do Congresso Nacional reservada aos goianos (50%), quando vamos nos atentar efetivamente ao quem é quem, percebemos que essa renovação não é tão renovadora assim. Se formos retirar dos chamados novos nomes quem já havia exercido mandato anteriormente ou é parente de figurão e foi eleito por conta da estrutura política repassada como herança, 2013 reverberou pouco (nada?) nas urnas goianas.

Caso façamos a análise da eleição majoritária, certamente não podemos afirmar que Ronaldo Caiado eleito senador e a disputa de segundo turno entre Marconi Perillo e Iris Rezende sejam fatos novos. Da mesma forma nacionalmente, onde segundo turno entre PT e PSDB é piada repetida desde 2002.

É bom assistir Junho justamente para que não nos esqueçamos do que levou milhões às ruas e que, aparentemente, ainda não foi resolvido – a distância entre a dinâmica do Estado com as demandas dos setores da sociedade, sejam eles de qualquer linha ideológica, classe social ou condição intelectual.

O mundo gira e voltamos para o mesmo lugar – a única diferença é que retornamos ao ponto de partida um ano mais velhos. E mais cínicos. E mais indiferentes.


Comentários

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  • 08.10.2014 15:25 Robson

    Boa observação Waldês Alves de Souza! Menos Políticos e Mais Estadistas.

  • 08.10.2014 10:19 Néviton César Leão

    Boa reflexão. Mais a melhor forma de acabar com tudo isso e unificar a eleição de Presidente a Vereador, fim do voto obrigatório, fim desse monte de partido e os eleitos não podem se candidatar para a próxima eleição tem que terminar o mandato e direito de concorrer só depois de 10 anos novamente.

  • 07.10.2014 16:42 Waldês Alves de Souza

    Boa tarde graaaaaande Pablo. Então cara fico aqui sempre esperando vc publicar algum texto pra depois compartilhar com amigos e chegados. Mas dessa vez vc elaborou o texto com muita pressa. Nós latinos temos realmente essa característica de sempre querer ver as mudanças aqui e agora. Algo de novo aconteceu sim, bastar ver a indecisão das pessoas até o último momento na hora do voto. Algo ficou do ano passado sim, pois antes era o tal do tanto faz tanto fez, apesar que esse número de pessoas ainda existe. As mudanças levam anos pra acontecer, décadas, tudo que o PT plantou de ruim vai ser colhido nos próximos 4 anos, assim como tudo de bom que ele colheu com a estabilidade econômica que foi dada ao país pelo PSDB. As coisas levam anos, não adianta a gente achar que saindo às ruas e trocando de dirigentes as coisas vão mudar da água pro vinho. Tivemos 514 anos e pouca coisa mudou kkkkkk. Os planos de governos exercidos são percebidos ao longo dos anos, muitas vezes nem percebidos. Parabéns pela coluna por aqui. Abraços.

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