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Pablo Kossa
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Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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Eu não toparia fazer um spin-off de Breaking Bad

Risco de voltar onde você já foi rei é grande | 10.02.15 - 12:24


Goiânia - Vince Gilligan é um cara corajoso. Muito mais do que sou. Perto de mim, ele é um bravo general romano comandando a tropa rumo à glória. E eu não passo de um Coragem – sim, o cão covarde.

O diretor e roteirista do épico Breaking Bad voltou aos holofotes ao estrear ontem (9/2) pela Netflix a série Better Call Saul, derivada de seu maior sucesso.

Para quem não tem ideia do que estou falando, Breaking Bad é uma séria que trata da transformação de um pacato professor de Química que, após descobrir que está com os dias contados devido um câncer, decide fazer metanfetamina para garantir um pé-de-meia à família quando bater as botas.

A história se tornou hit mundial, com fãs tão dedicados quanto têm as bandas de metal com seus discípulos. Não é raro topar pelas ruas gente vestindo camisetas que remetem à série. O sucesso é inconteste.

Exatamente por isso considero que mexer em um legado tão valioso quanto o da história de Walter White é para lá de arriscado. A prudência recomenda que nunca tentemos repetir o êxito maior, pois qualquer resultado abaixo disso, mesmo que em situações normais pudesse ser considerado positivo, será tido como fracasso. O grau de exigência fica muito alto. Se Felipão tivesse pensado assim na hora certa, ainda seria visto como o técnico do penta e não como o do 7x1.

Conservador que sou, nunca colocaria em risco o patrimônio moral alcançado. Vai ver que é justamente por essa bunda-molice que não consigo produzir algo tão robusto. A inegável falta de talento é outra hipótese. Mas deixemos esse debate para outro momento. O fato aqui é que Gilligan mostrou que tem colhões para encarar a barca. Sorte dele.

E quer saber o que acho de verdade? Acredito que Better Call Saul tem tudo para arrebentar. Não superar a série original, penso que isso não é possível, mas para manter vivo a áurea de Breaking Bad. Nas entrevistas de divulgação do lançamento, o diretor mostra consciência de sua responsabilidade e o temor de colocar tudo a perder. O medo é um sentimento poderoso e nos impede de fazer muita bobagem. Parece que esse é o caso de Gilligan.

Talento ele já mostrou que não é problema, pois o dele é farto. Começar com um grande número de fãs e interessados pelo trabalho também não pode ser considerado empecilho. Já ter um contrato assinado para outra temporada também oferece segurança para um projeto de longo prazo. Um personagem forte e interessante como Saul, e já com adorado pelo público, está construído. Ele tem a faca e o queijo na mão para mostrar que consegue manter em alta a estima que todos têm pela história que se passa em Albuquerque, no Novo México. Os ventos são favoráveis.

Os problemas são somente dois: 1- cite agora e sem pesquisar algum spin-off que tenha mantido o legado, respeito e sucesso da série original? Confesso que sem o Google não consigo responder; 2- é possível o raio cair duas vezes no mesmo lugar? Felipão acreditou que sim e deu no que deu. Torço para que esse não seja o caso de Gilligan.


Comentários

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  • 10.02.2015 15:16 Rogério

    Cara, mas até que é bom ter foco em outro personagem de vez em quando, assim como foi o Cleveland Brown do Family Guy.

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