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Rodrigo  Hirose
Rodrigo Hirose

Jornalista com especialização em Comunicação e Multimídia / rodrigohirose@gmail.com

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As murderselfies

| 28.08.15 - 12:13
Goiânia - Quando menino, não havia internet. Telefone móvel era coisa dos Jetsons. Câmeras GO Pro? Talvez alguma ideia de lunático aficionado em ficção científica. Era um mundo bem diferente.
 
Naquela época em que era apenas aquele menino feio que veio do século passado, havia uma série escondida nas estantes das locadoras de VHS (mais pistas de tempos remotos) chamada “Faces da Morte”. Proibida, mais fácil era levar para casa um filme para adultos. Porém, sempre havia o locador pronto para burlar as leis e fornecer o material – muitas vezes camuflado nas caixas de coisas inofensivas, tipo Goonies e E.T (pesquise no Google, caro leitor com menos de 35 anos).
 
Em casa, longe dos olhares vigilantes dos adultos, a meninada se juntava para assistir aos filmes proibidos. Confesso que só tive estômago para uns poucos 20 minutos de exposição de cadáveres mutilados por acidentes automobilísticos, assassinatos cruéis, espancamentos fatais... E sangue, muito sangue. Mas a adrenalina da turminha ia aos picos com aquilo.
 
Felizmente, as coisas mudaram. A internet e os aparelhos móveis estão aí, onipresentes, e o acesso à informação atinge níveis opressores. As velhas locadoras estão em extinção, e tudo que queremos está ao alcance de um clique.
 
Algumas coisas, contudo, não mudam. E a atração pela violência, forjada por nossos antepassados nas savanas africadas há milhares de anos, segue atávica.
 
Quando ela, a violência, não nos atinge diretamente nas ruas, nos chega no horário das refeições em família pelos telejornais. Milhares de câmeras de segurança espalhadas pelas ruas, casas e empresas fornecem material farto para a audiência. Daí nosso olhar fica dividido entre o bife acebolado e a arma apontada para a cabeça do vizinho.
 
No bolso, portamos pequenos Coliseus, que ora fornece mensagens edificantes, ora sacia nosso sadismo com o corpo transfigurado do ídolo sertanejo.
Bryce Williams e Estado Islâmicos são exemplos acabados de inserção nessa sociedade em rede. Ambos sabem que não basta atirar e degolar para ter a atenção de uma audiência sobrecarregada de estímulos.
 
Na sociedade narcísica das redes sociais, compartilhar as murderselfies é a ordem natural das coisas.

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