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Maria Dulce Loyola

Copiar o que é bom

Goiânia precisa preservar sua história | 23.07.12 - 10:06

Uma das coisas que me encanta em São Paulo é a preservação da sua história que é, por sua antiguidade, a história dos brasileiros, também. Tem sido hábito em São Paulo revitalizar edifícios antigos, adaptando-os para abrigar centros de cultura excelentes. Visitar o Mercado que tem muito mais de 100 anos e foi preservado, a Estação Ferroviária, a Pinacoteca e tantos outros lugares mais que centenários e muito bem preservados faz com que se conclua que copiar quem faz certo é uma boa maneira de acertar, também.
 
Goiânia, apesar de ser uma Capital aonde a riqueza é visível pelo consumo de bens e serviços, lamentavelmente, os governantes não conseguem sensibilizar aos que são geradores dessa imensa riqueza para que invistam, como incentivo, na área cultural, na preservação de nossa história.
O que se vê é a seguida repetição de atos como foi a destruição do Mercado Central para ali edificar uma garagem, de vários andares, sem, que até hoje tenha alcançado algum objetivo, se é que tenha sido planejado.  
 
A destruição da Santa Casa, marco da caridade e do início de Goiânia, para edificar um Centro de Convenções é uma das aberrações das administrações passadas, rapidamente se tornou um elefante branco pelo fato de ter sido extremamente inadequado o local escolhido, todos sabem que os centros de convenções são colocados estrategicamente em locais que permitem o acesso de um enorme público, com estacionamento gigantesco para receber um grande número de carros e ônibus, ali, na Rua 4, eles só podem parar ocupando as laterais das ruas em volta do Centro de Convenções na Rua 4, inclusive onde tem placas de proibido parar, tudo isso causa transtorno para quem passa por ali e para os próprios motoristas desses veículos, total falta de planejamento ou fizeram assim  para justificar a injustificável destruição da Santa Casa?
 
A descaracterização da Praça Pedro Ludovico Teixeira, abandonada há décadas, mostra o descaso com o bem público. Deixaram construir ali um barracão para abrigar parte da Prefeitura e assim permanece até hoje, mas, felizmente, já está aprovada pelo Governador Marconi Perillo parte da restauração da praça. Essa praça era o encantamento dos goianienses antigos que faziam dali seu local de passeio com a família no final da tarde e nos fins de semana. Porém, hoje em dia, é usada para shows, exposições e celebrações requerendo que ali se monte enormes estruturas que danificam tudo que há em volta (se é que ainda tenha sobrado algo). Essa prática tem que ser eliminada. Nada existe ali que lembre o jardim do Palácio das Esmeraldas de antes, com suas fontes luminosas e seus arbustos podados e bem cuidados. Hoje é o jardim mais descuidado e abandonado de Goiânia, não salva nem o que está no pátio da frente do Palácio, parece até que não existem paisagistas em Goiânia capazes de fazer um jardim adequado à casa do Governador.
 
Visitar um centro de cultura como São Paulo no faz voltar para casa pensando, quando será que deixarão de fazer obras faraônicas, deixando o que temos acabar, sem valorizar o pouco que restou. Revitalizar e restaurar o que já existe, preservando o que se dá o nome de patrimônio e a exemplo de São Paulo não destruir, mas adaptar o local para ser um novo espaço cultural, usando melhor os edifícios antigos como a Estação Ferroviária, o Grande Hotel, o Cine Santa Maria e outros é o que se deveria fazer. Assim, não deixariam chegar ao estado que chegou o Teatro Goiânia, palco de tantos excelentes espetáculos. Porém, nem cuidaram de seus bens, que fazem parte do patrimônio. Dizem que o piano de cauda que era do Teatro Goiânia caiu do palco e quebrou de tal maneira que não teve recuperação, depois desse "acidente" nunca mais se teve um piano com a qualidade desse.
 
É preciso, não só vontade para realizar tudo isso, mas é preciso entender que a nossa cultura, a preservação de nossos bens é mais importante que valorizar a cultura de fora, essa já é valorizada em seus Estados. Não tenho nada contra cinema, mas, não é o que Goiás produz, quantos filmes de sucesso saíram de Goiás nos últimos anos? No entanto se gasta uma fortuna para valorizar empreendimentos que não são nossos, no intuito de alcançar projeção nacional repetindo, importando hábitos de outros lugares, onde o evento é um grande sucesso devido ao tempo em que ali é realizado e se tornou uma realização tradicional dali. Importar eventos, manias, tradições de terceiros significa que não amamos o que temos. 
 
Maria Dulce Loyola Teixeira é administradora

Comentários

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  • 24.07.2012 12:01 Maurício Zaccariotti

    Como sempre, mais um belíssimo artigo. Parabéns, maria dulce.

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