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Anapaula de Castro Meirelles

Habemus Papam, só que não

| 13.02.13 - 12:22

Goiânia - O mundo acordou na manhã de segunda-feira, dia 11, tão surpreso quanto ficou ao ver a fumaça branca surgir da Capela Sistina, e ecoar a famosa expressão "Habemus Papam" ("Temos Papa" em português) em abril de 2005, quando Ratzingerde 78 anos, foi eleito papa, tendo escolhido como nome Bento XVI. 
 
O papa Bento XVI surpreende o mundo com uma renúncia cujo precedente vem de 600 anos atrás na história milenar da igreja católica. O cardeal alemão que, em 2005, fazia um duro discurso diante de seus iguais, puxando para si as rédeas da fé no conclave após a morte do ícone João Paulo II, hoje se desmancha, entre escândalos que vão da pedofilia a rombos fiscais no entre - muros da monarquia absolutista vaticana. 
 
A alegação é falta de força física, que nunca abalou seu antecessor, peregrino perseverante até quando o corpo parecia não ter mais vigor algum. Após um papa que, a despeito da manutenção do conservadorismo dogmático, ousou abrir a igreja à era da comunicação globalizada, Joseph Ratzinger entrega os pontos, sem nunca ter demonstrado empatia com seu rebanho e após defender uma igreja rígida e fechada, distante da realidade do século 21.
 
A saída, se por um lado sugere humildade, também aponta para a incompatibilidade da “linha dura” de Ratzinger com a condição humana e com novos tempos, de novas possibilidades. A igreja precisa de um novo João XXIII se quiser seguir caminhando junto à humanidade – e não contra a complexidade humana.
 
Este artigo não tenciona fazer crítica à decisão do papa em renunciar; acho até um ato de nobreza e sabedoria da parte de Ratzinger em favor da sua denominação. Mas gostaria de opinar sobre o que considero serem as razões para tal decisão.
 
A evasão de católicos para outras denominações, religiões e até o ateísmo é crescente. O mundo vive um aumento de espiritualidade. Isto tem tido efeito em todas as denominações religiosas; no meio dos evangélicos, especialmente no Brasil, produz as mudanças constantes de membros "igrejas" e o surgimento de igrejas que vão aos poucos deturpando e até ridicularizando o evangelho; mas para o catolicismo este fato tem sido catastrófico! Para se estabelecer um parâmetro do efeito, os padres midiáticos aumentam a cada dia. 
 
A falta de uma linguagem clara dos princípios teológicos da fé católica. É fato que o catolicismo sempre teve dificuldade para trazer os seus princípios dogmáticos à compreensão geral do povo. Um outro problema é a dificuldade que o católicos comuns, especialmente os mais jovens, têm em entender ou expor os dogmas do catolicismo. Isto acaba por produzir um abismo entre a teologia doutrinal e a teologia prática dos católicos. 
 
Ratzinger, como homem culto e consciente que é, tem a clareza da situação; sabe que a empreitada é grande demais para um homem de 86 anos, que além de não possuir vigor espiritual e físico enfrenta todas as demais limitações de sua idade. 
 
Além da surpresa inicial, lendo as justificativas do papa Bento XVI, não vi nada de estranho como muitos dizem por aí, a não ser a certeza de que as idéias de Ratzinger em prol do cristianismo e da Igreja precisam ser reformadas urgentemente.
 
Esta é a visão de uma católica que quer ver sua Igreja fortalecida e por isso espero ouvir o anúncio do novo papa, que será feito da varanda central da Basílica de São Pedro, no Vaticano, pelo cardeal decano em março. Tenho a esperança que será apresentado ao povo um papa que promova a paz, a tolerância, a bondade, a liberdade religiosa e o ecumenismo. Estou esperando a sua primeira bênção Urbi et Orbi, Vossa Santidade. 

Anapaula de Castro Meirelles é publicitária.  

 

Comentários

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  • 15.03.2013 00:18 Ivana Faria

    Lendo este texto percebo a importância do novo Papa. Parabéns pela qualidade do texto. Você estava bem inspirada e seu pensamento é muito coerente. Tem uma clarividência agora que conhecemos o novo Papa Francisco I.

  • 18.02.2013 22:15 Anônimo

    O papa é pop. O papa não poupa ninguém. O papa levou um tiro a queima roupa.

  • 18.02.2013 16:00 Vicente

    Uma sucessão papal sem morte. Esse papa entra pra história já que não conseguiu realizar nada durante seu pontificado.

  • 17.02.2013 16:12 Silvio Medeiros

    Pior que a renúncia do papa é esse mundo evangélico circense que vivemos. Os pastores ficam ricos explorando a fé de inocentes. Vamos abrir os olhos antes de blindar o cerebro. Se os católicos precisam de renovação os evangélicos precisam ser estirpados. Ser evangélico virou qualidade.Uma empregada aqui de casa quando veio fazer uma entrevista com a minha esposa. Falou sou honesta, evangélica. Roubou a casa inteira na surdina.

  • 17.02.2013 09:06 Mônica

    O papa com sua renúncia e posteriormente pedindo renovação já admite que a Igreja Católica necessita de rever sua postura e seu discurso rígido. Parabéns pelo texto. Ótimo ponto de vista. Eu também quero ver a Igreja firtalecida. Os padres que gostam de mídia assim como pastores e espiritualistas devem rever seu posicionamento. O foco é o evangelho e as escrituras bíblicas. Conheço jovens que se apaixonaram pelo padre Caio Fábio e no meu sentido são eles os responsáveis por esta manifestação.

  • 16.02.2013 22:57 Roberto Mateus de Medeiros

    A relação de confiança entre os fiéis e os padres a muito tempo está abalada. Essa questão de escândalos e a política do abafa já cansou tb. Eu prefiro ser fiel a mim e meus valores humanos tem mais transparência e sobretudo dignidade.

  • 16.02.2013 22:25 Mirian Alves

    O papa Bento XVi não consegue manter uma unidade. Foi vencido. Seu texto é bem interessante e me deu uma nova interpretação desta renúncia. A igreja católica está enfraquecida, discriminatória e desagregadora. Vamos pedir em oração que o escolhido seja um missionário jovem e que pregue o amor entre todos, independentemente de escolhas particulares. Divorciados, gays, mães solteiras também querem ouvir a palavra de Deus. E muitas igrejas simplesmente ignoram a existência deles. Isso é igreja? Igreja é unidade.

  • 16.02.2013 16:25 Anônimo

    Esse papa não foi pop!

  • 16.02.2013 15:27 Paulo Rogério

    Este cardeal é um louco! Separa os direitos LGBT dos direitos humanos. É a favor que gays sejam presos e mortos a favor de uma "tradição". Tem até um projeto de lei que tramita com o seu apoio.

  • 16.02.2013 15:19 Marcos Vinícius Soares Cintra

    É cuidado. Tem um forte candidato a papa que defende a pena de morte para gays. É o cardeal de Gana, Peter Turkson. Quando se pensa que o ódio e a falta de respeito ao ser humano poderiam conhecer limites... É Igreja Católica onde está o respeito ao mandamento Não Matar? Amar ao próximo como a si mesmo onde fica? Vcs são a própria vítima de seus pensamentos, palavras e atitudes.

  • 16.02.2013 09:14 Giovanna Miranda Vaz

    Todas as igrejas precisam de uma reformulação. Porém a Igreja Católica com uma quantidade maior de fiéis necessita disso o mais rápido. Muita gente está abandonando em função de uma rigidez desnecessária. A casa de Deus é para todos.

  • 16.02.2013 00:14 Maria Luiza Soares

    Anapaula sempre coerente nas suas palavras e pensamentos. Mais uma vez um ótimo texto com muita verdade. Parabéns. Leio sempre suas publicações. Quero falar com esse Jorge aí. Coloque mais amor no coração. Que desrespeito em seu tratamento. Um julgamento infeliz e de extrema indelicadeza.

  • 15.02.2013 23:58 Jorge

    Esse papa pra mim não tem nada de humilde e nobreza. Ele foi um covarde. É este o exemplo que ele quer dar ao seu rebanho? Onde está a perseverança? E achei ele muito conversador. Esse papinho de intrigas e falsidades não pegou bem.

  • 15.02.2013 17:23 Janaína Motta

    Um texto inteligente e que sem dúvida alguma retrata que a igreja precisa repensar sua postura rígida d inflexível. Eu sou divorciada e sinto excluída das atividades religiosas. Eu e muitas outras pessoas procuramos acolhida em outras igrejas. Não sou feliz onde estou. Sinto falta da liturgia católica, mas não concordo com o pensamento pouco humano da Igreja Católica.

  • 14.02.2013 21:09 Carlos Antônio

    Em seu pontificado Bento XVI nem de longe se parece com esse papa que pede renovação e convoca a juventude. Concordo em gênero, número e grau com a sua visão. Suas observações são pertinentes e vem se confirmando a cada vez que o papa faz uma declaração. Internamente a Igreja está dividida e consequentemente não há unidade entre os seus fiéis. Roga que venha um papa jovem e com um olhar mais humanitário.

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