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Lúcia Vânia

“Herança bendita” x “maquiagem”

País tem inflação crescente e PIB pífio | 27.02.13 - 18:59

Brasília - Começo o meu artigo destacando o discurso contundente que o meu colega de bancada, senador Aécio Neves, fez na última quarta-feira, 20, no plenário do Senado Federal.
 
A abordagem do parlamentar mineiro focou, entre outros pontos, o nosso atual momento político e o cenário econômico brasileiro, tão diferente daquele que assinalou o início de 2012. 
 
Reafirmo aqui, o que nós, do PSDB, temos dito: exercemos o papel de uma oposição responsável. E como qualquer oposição, continuaremos a apontar as falhas e a cobrar que os compromissos sejam cumpridos. 
 
Voltemos a nossa atenção às empresas estatais, que outrora despertaram orgulho nacional: a Petrobras teve seu lucro reduzido à metade em 2012; a Eletrobras, com a perspectiva de redução no preço da eletricidade, viu suas ações despencarem 50% em um mês; os subsídios do BNDES a empréstimos custaram 28 bilhões de reais em três anos; o PAC teve investimentos de 27 bilhões de reais, o que é a metade do previsto; e, ainda, a inflação está acima da meta de 4,5%.
 
A equipe econômica tem tentado reagir à crise por meio de medidas diversas que, entretanto, pelos seus resultados, são bem menores que o tamanho dos problemas. O fato é que estamos convivendo com uma inflação crescente e um PIB pífio, cujos resultados prévios indicam que ficará em torno de 1%.
 
A economia brasileira, que há alguns meses estava sendo vista como um foguete que decolava, até em relação à economia mundial, viu-se em desvantagem quando comparada à grande maioria dos países em desenvolvimento e mesmo das nações latino americanas, cuja média de crescimento foi de 3%.
Nossas indústrias também vão mal. A produção da indústria de transformação caiu 1,1% nos primeiros meses do ano passado, descontadas as sazonalidades.
 
Se a economia não se recuperar, o Brasil corre sério risco de perder em breve uma das forças motrizes de sua economia: o forte desempenho do mercado de trabalho, com emprego e renda em alta.
 
Chamo a atenção, ainda, para a questão da educação, que se sobrepõe a qualquer outra e que nos preocupa, pois não basta destinar recursos para o setor. É necessário que o governo se empenhe na busca por resultados que possam se traduzir em professores capacitados e ensino de qualidade em sala de aula.            
Diante desse cenário alarmante, o governo federal precisa sair dessa letargia; não apenas se vangloriar de ações pontuais nas quais foi bem sucedido, mas que ainda não são suficientes para a consolidação de pilares que sustentem o nosso país pelos próximos anos.
 
Não queremos, nem vamos desqualificar o governo, pois primamos pelo respeito nas nossas relações políticas, mas não gostaríamos de continuar assistindo que se façam “maquiagem” de sucesso ao que não teve êxito.
 
Não vamos ignorar os avanços, mas não aceitaremos que tentem negar a nossa reputação e o legado deixado pelo governo Fernando Henrique Cardoso. FHC foi o maestro de um governo transformador, o fio condutor das mudanças desenvolvimentistas, que se traduziram com a efetiva inserção do Brasil na política neoliberal, as reformas no setor da Educação, o Plano Real e o controle da inflação, a autonomia do Banco Central, as privatizações, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a implantação de programas de combate à exclusão social e à pobreza, além de tantas outras ações que transformaram tão positivamente o Brasil.
 
Sim, integramos a bancada de oposição ao governo. Só que antes de tudo, integramos uma bancada que também é do povo brasileiro, e que é a razão do trabalho que abraçamos dentro e fora do Senado Federal.
 
Lúcia Vânia é jornalista e senadora pelo PSDB.

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