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Márcio Moraes

Saia do carro e venha pra rua

O Brasil está em movimento | 20.06.13 - 15:21
O Brasil está em movimento. Especialistas e analistas arriscam seus palpites. Governantes assistem pávidos, certos de que o recado é dirigido a cada um deles, mas reconhecem que não entendem bem a mensagem. O que se pode prever é que a paisagem brasileira vai mudar.

As reivindicações dos manifestantes são variadas, mas sempre fundamentadas em um princípio: é preciso tratar com seriedade a coisa pública. Isso inspira a acreditar que o País está se fortalecendo, porque são exercícios de cidadania como o que estamos testemunhando que elevam a democracia e evitam que ela pereça.

O ponto de partida é o péssimo serviço de transporte oferecido ao brasileiros - e não apenas os infames 20 ou 30 centavos - e Goiânia foi protagonista ao realizar as primeiras manifestações contra o aumento da tarifa. Nesta quinta-feira, os organizadores esperam mais de 50 mil participantes e poderia ser um número muito maior, porque, além de haver outros assuntos em pauta, não há um só cidadão de uma cidade que não sofra os impactos de um transporte público coletivo deficiente.

Observe que o cidadão que tem recursos para adquirir um veículo próprio quando visita outro país usa lá fora, na maioria das vezes, o transporte público. Onde o serviço tem qualidade, bonito é deixar o carro em casa. No Brasil, sobretudo em Goiânia, deveria ser assim.

Se a população de Manhattan, por exemplo, decidisse trocar os ônibus e metrô pelos carros por um dia, Nova York ficaria parada. Se Goiânia fizesse o caminho inverso e os motoristas aderissem aos ônibus, a vida e o trânsito seriam melhor, muito melhor. Mas essa situação hipotética dependeria primeiro de um serviço de transporte público de qualidade e barato.

O goianiense que tem carro e nunca andou de ônibus deveria deixar seu veículo em casa nesta quinta-feira e ir às ruas exigir que Goiânia seja mais parecida com as grandes metrópoles que priorizam a mobilidade urbana. A passagem tem de ser mais barata e o serviço de transporte público, muito, muito melhor.

Se o transporte público for tratado com seriedade, teremos menos carros nas ruas e um trânsito mais humano. Veremos, como em Nova York ou Berlim, executivos usando transporte público. E essa realidade não é muito distante, pois existe em São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba, onde também há manifestações. Para alcançá-la, basta ouvir os ecos dos protestos. E protestantes, façam-se ouvir.

Márcio Moraes é advogado especialista em Direito Urbanístico, coordenador da Subcomissão de Ordenação das Cidades da OAB-GO e pesquisador do Observatório das Metrópoles.

Comentários

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  • 21.06.2013 08:47 JustBira

    O preço voltou para R$2,70 - mas o tempo de espera no ponto por um "busão" aumentou 100%, resultado: ônibus lotados no estilo "lata de sardinha", e piorando a cada dia. Poucas vezes o morador da Metropolitana de Goiânia foi tão humilhado como agora.

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