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Polêmica

Sobre os "rolezinhos"

A mídia "mordeu" a isca | 21.01.14 - 09:48
 
Goiânia - Muito tem se especulado atualmente sobre a ação de jovens da periferia que, organizados em grandes grupos, buscam acesso ao lazer nos já consolidados centros de compras das classes média e alta dos conglomerados urbanos. Conforme ficou popularmente conhecido, os rolezinhos, que começaram como uma tentativa despretensiosa de usufruir do conforto proporcionado pelos shoppings, migrou para alguns excessos comuns dos movimentos que reúnem as mais variadas pessoas com seus diferentes interesses e condutas de vida, independente da classe social a qual pertencem.
 
A mídia mordeu a isca e daí criou-se o palco tão almejado pela grande maioria das pessoas que viverem ao redor dos meios de comunicação, e sonham em se tornar notícia um dia, a qualquer custo. O que era para ser um passeio em massa tornou-se, em algumas situações, uma grande confusão, com registros de atos de vandalismo e perturbações da ordem pública.
 
Os shoppings centers, colocados como principais alvos desse movimento, resolveram reforçar sua segurança e, em alguns locais, até adotar a medida de seleção para se ingressar no estabelecimento. Excessos vêm sendo colhidos de ambos os lados, como se estivéssemos presenciando em pleno século XXI uma nova guerra de classes.
 
O que precisamos entender é que a periferia, composta por grande parte dos brasileiros da atualidade, também almeja fazer parte da sociedade de consumo tão propagada nos centros comerciais. Por longa data, seu único acesso a esses locais deu-se por meio do emprego nos estabelecimentos internos, ou seja, não como consumidor mas como trabalhador de lojas e lanchonetes.
 
Como toda categoria que um dia se descobre maior do que aquela que a “domina”, os jovens da periferia resolveram unir forças para impor a sua presença pela porta da frente, onde antes adentravam pela porta restrita aos funcionários. Toda mudança de conduta e de cultura traz consigo o choque inicial, a estranheza daqueles que se acostumaram a ocupar o mesmo espaço, sempre da mesma maneira.
 
Excessos a parte, os rolezinhos apenas deixam claro os anseios de toda uma categoria que não quer mais estar à margem da sociedade, que deseja ser reconhecida com os mesmos direitos a espaços públicos, mesmo que precisem impor aos bandos a sua presença. E se esse problema antes não era tão marcante pois figurava apenas nas entranhas dos bairros menos favorecidos e das favelas, agora se tornou visível e palpável ao restante da população que não “precisava” se preocupar com a existência da pobreza, enquanto realizavam suas compras.
 
Independente do posicionamento que se tome seja a favor ou contra a realização dos rolezinhos, o que não se pode mais ignorar é que uma grande parcela da sociedade está se sentindo à parte, discriminada pela sua condição social e desprotegida diante de situações corriqueiras, a ponto de precisar unir centenas para passear por um shopping. Reconhecer as suas aspirações e dar voz a essa categoria se faz tão necessário quanto acabar com a atual apatia com relação às mazelas sociais que tais pessoas vivem.
 
Rodrigo Zani é bacharel em Direito, presidente Estadual da Juventude do PSDB e um entusiasta da participação do Jovem na Política.     

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