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Leonardo Santos

Rock no sangue

Smooth e sua família prodígio | 29.01.14 - 17:51  
Goiânia - Não sei como a história começou. Se algum dos irmãos ganhou um vinyl de algum padrinho. Vou contar do que vi, do que pude acompanhar como espectador ao longo desses anos. De todos os fatos musicais e contribuições que me levaram a crer: tem alguma coisa maravilhosamente “errada” com essa família.


(Thiago Ricco, Bruno Bonfá e “Smooth”)

Um dos maiores equívocos que o rock, o movimento punk e o Nirvana deixaram para o estilo foi o conceito “rock é atitude” interpretado de forma simplista. Isso leva um monte de gente, em especial a mulecada, a pensar erroneamente que basta pegar instrumentos baratos, mais ou menos afinados, juntar amigos dispostos, que dali sairá um som incrível de rebeldia, e que fatalmente os tornará famosos.

Essa é uma das maiores armadilhas escondidas no (des)glamour do “do it yourself”, presente em vários momentos diferentes da trajetória do rock, e que até hoje faz muito estrago. Faz você pensar que é fácil “tirar” e registrar um som legal, quando na verdade o caminho é um pouco mais longo.

Voltemos à família do Smooth. Voltemos ao Nirvana.

Talvez você ainda não conheça de perto essas figuras, então vamos fazer uma rápida retrospectiva. Fábius Augustus Smooth, Thiago Ricco e Bruno Bonfá são irmãos. Fábio e Bruno formaram o Vícios da Era ainda nos anos 90 e Thiago já participou de tantos projetos importantes, que nem me lembro de todos, sendo um dos principais a sua participação no Violins.


(“Smooth”, Bruno Bonfá e Fred Valle – Vícios da Era no ano 2000)

Smooth é considerado um dos melhores guitarristas, compositores e produtores da cena rock, além do quê presta importantes serviços mixando shows ao vivo e produzindo na cena goiana.

Um dos melhores exemplos foi quando Smooth operou o PA da banda Black Drawing Chalks em grandes festivais como o SWU e o Loolapalooza. Bruno Bonfá também é um excelente compositor e letrista e Thiago Ricco é tido por muitos como um dos melhores baixistas de todos os tempos na cena rock de Goiânia.


(“Smooth” e Black Drawing Chalks nos bastidores do Loolapalooza)

Se essa família tem o rock no sangue, isso significa que seus sucessores também o terão? Nesse caso, eu aposto no sim. Foi o que pensei ao assistir o show de um dos projetos de Smooth e Thiago chamado ONE NIGHT STAND, onde se apresentam fazendo covers de álbuns marcantes na história do rock.

O último foi do álbum NEVERMIND (NIRVANA), com apresentação no Metrópolis. Utilizando as palavras proferidas por Smooth ao microfone: foi um acontecimento. Tios no palco. Sobrinhos na platéia.

Se o rock fosse uma bolsa de ações, eu investiria nos filhos desses caras como futuras promessas de boas coisas que podem vir por aí. São eles: Luan Rampazzo (filho de Smooth), Lucas e Matheus Azevedo (filhos de Bruno Bonfá). São garotos legais, inteligentes. Já estão iniciados, tocam seus instrumentos e estão bem orientados. O resto é futuro.


(Smooth e seu filho Luan Rampazzo)

Mas o que essa família tem que torna suas performances diferentes de muitos músicos da cena goiana? Além do talento natural, é claro. Bom; a chatice! Isso mesmo.

São conhecidamente chatos na escolha de seus instrumentos, equipamentos, na timbragem, na passagem de som, no perfeccionismo com ensaios, dicção da “letra”, no meio tom acima ou abaixo do esperado. E é isso que faz de suas apresentações, sejam covers ou autorais, um rastro de profissionalismo e qualidade.

O rock, meus amigos, não está somente no sangue ou na atitude. Está também na atenção aos detalhes.

*Leonardo Santos é dj, produtor musical, redator e professor universitário. 

Comentários

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  • 11.03.2014 17:06 Amanda Karla

    Belo texto! Não só de sertanejo vive Goiânia. Basta procurarmos e encontraremos bandas boas, que tocam um bom rock.

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