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João Novaes

Três decepções das telonas em 2014

Filmes que merecem ser comentados | 05.01.15 - 16:08
Goiânia  - O circuito comercial de cinema de nosso país tem vivido um boom sem precedentes! 126 filmes brasileiros estrearam nos cinemas só no ano passado. Está difícil seguir tudo o que entra em cartaz, pra não dizer impossível, mesmo numa cidade como Goiânia, que até poucos anos atrás carecia de estreias semanais e de opções decentes de cinema artístico e não-comercial. 
 
Escrevo hoje para falar de filmes que já saíram de cartaz já faz alguns meses, mas que não poderia deixar de comentar: Magia ao luar, de Woody Allen e Trash – a esperança vem do lixo, do diretor Stephen Daldry. Mas também de um terceiro, Tim Maia, do diretor Mauro Lima. Três filmes bem diferentes, tanto em termos de proposta narrativa, quanto de enredo e direção, mas que me decepcionaram apesar de toda a expectativa que tive com cada um deles. 
 
Woody Allen parece partir de seu próprio ceticismo em Magia ao luar para narrar a trajetória de um mágico - vivido de forma insossa por Collin Firth – destinado a desmascarar uma vidente no Sul da França. Não sou nenhum Andre Bazin, mas o final da história acabou soando como um anti-clímax! No final não houve magia, mas pode-se contemplar o luar! Uma façanha a parte, como sempre, diga-se de passagem é a trilha sonora deste filme, que como todos os outros de Woody, é permeada pelo melhor do smooth jazz. Músicas como as de Rita Reys - Thou Swell – ao vivo no Juan-les-Pins Jazz Festival nas Antilhas . Ou Leo Reisman tocando Cole Porter e sua  “You do something to me”, Sonny Rollins em seu melhor disco Saxophone Colossus, Bix Beiderbeck e sua “Big Boy”!  Não tem erro, as músicas como sempre ainda salvam o filme e o tornam palatável como todo e qualquer filme de Woody Allen.
 
Já em Trash – a esperança vem do lixo, infelizmente  não podemos depositar esperança alguma. Apesar de ser um filme de um renomado diretor, como Stephen Daldry, que já dirigiu pérolas como As horas, sobre a trágica história de Virginia Woolf e “Billy Elliot”, a história de Trash mais parece um pastiche de Quem quer ser um milionário e Cidade de Deus.
 
Apesar do ritmo instigante imposto pela montagem, que cria um ar de thriller no drama, o desfecho da história mais parece um filme da Disney feito em uma favela brasileira. Wagner Moura e Selton Mello, assim como as crianças selecionadas do Grupo Nós do Morro estão muito bem em seus papéis. O problema não é esse, é mais profundo, trata-se de um erro crasso de roteiro que prevê um final feliz demais para a realidade que todos nós conhecemos das favelas de nosso país. Sua dramaturgia, que empolga durante quase todo o filme despeca vertiginosamente, devido à necessidade de que todos os personagens se deem bem e saiam ilesos de uma jornada pelos infernos dos morros cariocas. Inverossímel, para dizer o mínimo. 
 
Tim Maia, um filme realmente industrial e um ótimo exemplo do novo cinema comercial brasileiro, infelizmente não faz jus ao livro Vale Tudo – o som e a fúria de Tim Maia, do jornalista Nelson Mota, que baseou o roteiro de Antônia Pelegrino e Mauro Lima. O uso excessivo de narração em off, com o personagem de Cauã Raymond o tempo inteiro explicando as loucuras de seu amigo Tim, apesar de tentar captar um pouco da verve boêmio-literária de Mota, não atinge seus objetivos.
 
 E principalmente, o roteiro deixa de fora histórias impagáveis que estão no livro, como quando Tim tentava pagar seus músicos com tabletes de maconha, ou quando gritava “Estratégia!” para sua banda, ao ver que estavam em uma roubada e que deveriam fugir do covil em que haviam sido colocados para tocar! É uma pena, esperei muito por esse filme e apesar das ótimas atuações de Babu Santana na fase madura e Robson Nunes na adolescência e início da fase adulta, o filme peca também pelo tempo, de mais de duas horas de duração, o que o torna arrastado em alguns momentos. Agora passamos pela polêmica re-edição que a Globo fez do filme como mini-série de dois capítulos, excluindo partes que comprometem a história do eterno rei do iê-iê-iê, Roberto Carlos, que desprezou Tim no início da carreira! Mas polêmicas a parte, o filme é fraco!
 
No Próximo artigo falarei de três grandes surpresas que encheram meus olhos nas salas mágicas do cinema em 2014: Relatos selvagens, Interestelar e O grande lance. Até mais!
 

*João Novaes é diretor e produtor executivo de cinema e televisão. (Joaonovaes2@gmail.com)
 

Comentários

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  • 12.01.2015 01:13 João Carlos

    Gostei do texto,xará

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