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Djan Hennemann

Eleitor e a mudança das regras

| 25.02.16 - 08:28

Goiânia - Depois de tantos anos esperando por uma reforma política, temos novas regras para as próximas eleições. Longe de ser uma ampla reforma que acaba com as injustiças e promove uma disputa equilibrada, o pleito é outro, com variáveis que devem ser analisadas com atenção, mas que revelam pouco resultado prático.
 
Se por um lado o tempo ficou curto para a campanha eleitoral, não podemos esquecer que a pré-campanha foi autorizada e o controle nessa etapa promete não ser rigoroso. 
 
Assim, acaba por beneficiar os que já possuem vínculo com os eleitores ou os que possuem condições econômicas para sustentar equipe e ações de uma fase que antecede a campanha propriamente dita. Os novos entrantes, que desejam disputar pela primeira vez cargos políticos, terão mais dificuldades com o novo formato vigente. Com muita objetividade na análise: as regras foram feitas por quem já ocupa cargo.
 
O alento para um pleito mais democrático e justo também não vem da Justiça Eleitoral, que não terá parâmetros para decidir com base em casos passados. A famosa jurisprudência deixa de existir em várias situações, pois a mudança da regra anula qualquer interpretação pacificada entre os tribunais. Acredito que será a eleição em que os advogados eleitoralistas terão maior dificuldade, pois o tempo escasso de campanha e o novo ambiente jurídico eleitoral levarão muitas ações aos tribunais superiores, com recursos e novos julgamentos que prometem extrapolar o período eleitoral. Veremos eleições sendo definidas longe das urnas.
 
Há uma preocupação geral sobre os limites de gastos estipulados pela nova reforma. De fato os valores não representam os custos de um processo eleitoral, ainda que a redução do tempo pudesse justificar. Não funciona assim. Teremos valores similares aos da última eleição, pois teremos as mesmas ferramentas de comunicação e menos tempo para fazer o trabalho. Isso indica que os melhores profissionais serão, como sempre, mais requisitados. Essa é a lei de mercado, mais forte que a lei eleitoral.
 
Na seara do marketing político serão necessárias estratégias diferentes e, mais do que nunca, saber o tempo certo de cada etapa da campanha eleitoral. As mudanças de fases da campanha devem ser conduzidas de forma cirúrgica, pois o tempo será a moeda mais valiosa da eleição. Quando iniciar o posicionamento? Quando iniciar a pré-campanha? 
 
Como e por quanto tempo introduzir e disseminar os argumentos e projetos? E finalmente, como manter o voto definido até o final da campanha? No que diz respeito às pesquisas, nada de mudança significativa. Apesar de a nova regra exigir registro a partir de janeiro, isso vale para os resultados que serão divulgados. 
 
Pesquisas internas permanecem “inexistindo” aos olhos dos veículos de comunicação e da população, mas continuam orientando o trabalho das equipes de marketing. A “farra das pesquisas” será mantida durante o processo eleitoral com a principal função de animar e manter viva a militância das campanhas. 
 
A alteração nas datas para filiação e troca de partido acabam por retardar as mudanças nas peças do tabuleiro. A barganha partidária ficará para a última hora, quando os nomes da disputa já estiverem praticamente definidos. Com maior valor agregado ao candidato, a disputa entre as coligações e partidos tende a ser mais dura e quem souber avaliar cenários pode ser eleito com a ajuda de outros. Com certeza haverá negociação de espaço mais explícita do que nos últimos pleitos, com cargos e espaços sendo ofertados sem pudor.
 
De fato a mudança não traz uma revolução da democracia e tampouco irá moralizar a disputa eleitoral. A disputa será a mesma, com regras diferentes. Além de uma adaptação rápida, será necessário enfrentar um novo eleitor, com mais capacidade de escolha e cansado de não participar. Com uma crise política e econômica, a tentativa de mudança que acabaria por beneficiar quem está no cargo pode não ser presenciada. Acredito que teremos muitas surpresas nas urnas. Afinal, as mudanças não mudaram tanto assim. 

*Djan Hennemann é publicitário e profissional de marketing político.
 

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