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Marlene Campos Machado

Muitos domingos, só uma emoção

| 07.05.16 - 14:11
O domingo de cada uma delas, seguramente, vai ser diferente. Inclua nessa lista suas amigas, vizinhas, parentes distantes, colegas de trabalho, todas as mulheres, enfim, que você conhece ou não. A única exigência para que façam parte dessa conta – e experimentem essa gostosa sensação - é que sejam mães. Só isso basta para que possam saborear um domingo particular, o momento solitário de poder dizer para si mesma, emocionada, que valeu a pena uma vida inteira de dedicação e desprendimento.
 
Não falo de diferenças ditadas por contrastes sociais, econômicos ou culturais, pelo status que cada uma atingiu, pelo dinheiro maior ou menor que conseguiu reunir, pelas tradições que suas origens lhes impõem. É claro que não serão iguais os domingos das pobres e das ricas, das que têm saúde ou estão enfermas: cada uma, invariavelmente, vai viver momentos marcados pela fartura ou dificuldade que rege sua vida. Mas é certo que nada disso a elas importa, não é o conforto maior ou menor a recompensa que as motiva.
 
Umas, passarão o dia em casas confortáveis, aconchegantes; outras, em espaços bem modestos, na periferia; muitas em habitações sub-humanas, torcendo para que não venha a chuva e as goteiras não estraguem a festa. Há ainda as que passarão horas em filas nas portas de presídios ou à beira de um leito de hospital, fazendo a visita que o filho ou filha está impedido de fazer ou confortando aquele que ansiosamente busca alguma cura. Mas o que realmente as diferencia não é nada disso, é a história que cada uma carrega na lembrança.
 
São histórias com nuances particulares, todas movidas por um amor incondicional por suas crias, é verdade, mas com diferentes armadilhas que a vida nos impõe pelo percurso. E mesmo tendo razões de sobra para acreditar que sempre fizeram bem mais do que podiam, é bem possível que se punam por não ter feito mais ainda. Umas pelo tempo que não conseguiram economizar para lhes dedicar mais afeto e carinho; outras pela tolerância que faltou na hora de compreender suas inseguranças; mais algumas pelos recursos que não conseguiram amealhar para bancar seus sonhos ou saciar sua fome.
 
São mães, é assim mesmo, faz parte de sua natureza. Não se permitem justificativas baseadas no que a vida lhes negou, nesses tempos em que os governantes são cada vez mais insensíveis para facilitar a vocação materna instintiva que as guiam, essa doação permanente, essa entrega que coloca a felicidade dos que gerou acima de tudo.  E se contentam com pouco, vamos constatar novamente domingo agora, quando simplesmente as abraçarmos e percebermos as emoções que as envolverão, o nó na garganta que vai tomar conta delas.
 
Por isso, mais que qualquer presente, é importante nos abrirmos para um abraço pleno, como nem sempre fazemos no resto do ano. E com elas chorar, rir, ter saudades, projetar sonhos, fazer promessas, demonstrar gratidão eterna por tudo de que abdicaram para que nossa vida fosse plena. É só isso que estarão esperando, no domingo cedo, enquanto começam a preparar nosso prato preferido. E é disso que irão se alimentar no dia seguinte, quando é bem possível que inventem de tricotar uma nova blusa, para nos proteger do frio que está chegando.
 


*Marlene é líder do maior movimento de mulheres do país e coordena a Campanha por Mais Mulheres na Política, que pautou a PEC 98 no Senado Federal.

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