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Marconi Perillo

Há 20 anos Carmo Bernardes escreve no céu

| 30.05.16 - 16:03
 
Marconi Perillo 

Goiânia - O tempo que convivi com o escritor Carmo Bernardes foi mais que suficiente para consolidar a amizade, o respeito e a admiração por uma pessoa que era antes de tudo a humildade expressa, a humanidade intrínseca e a sinceridade explícita.
 
Além de um escritor fenomenal, que soube como poucos traduzir a alma do homem goiano oriundo do meio rural e ensinar para a gente as coisas do mato. Em 2015, festejamos o centenário do nascimento de Carmo Bernardes e, neste ano, faz duas décadas que ele nos deixou – lacuna difícil de ser preenchida enquanto a gente viver, lembrar dele e continuar usufruindo de sua obra literária. Sua obra, entretanto, é imortal.
 
Nascido em Capelinha do Chumbo (Patos de Minas), em 2 de dezembro de 1915, ainda com quatro anos de idade veio com a família viver em Formosa, depois Anápolis, sempre convivendo com as coisas da roça, aprendendo e apreendendo os ensinamentos da mais autêntica ciência da terra.
 
Mais tarde se instalou em Goiânia, no Setor Pedro Ludovico. Foi perseguido pela ditadura militar que se instalou no país em 1964, exilou-se nos cafundós, e se tornou escritor e jornalista, exercendo esses ofícios para propagar, com histórias interessantes e seu particular e original modo de contar, os ensinamentos que absorveu e sintetizou.
 
Quando Carmo nasceu, acho que Deus, em sua infinita bondade, disse: “Vai, Carmo, ser goiano e propagar as cantigas, jeitos e trejeitos dos bichos e gentes daquela terra para o mundo todo ouvir”. E ele o fez com perfeição e com uma honestidade a toda prova. Pude perceber isso nas vezes em que conversei com ele.
 
Acompanhei Carmo Bernardes também como cronista e posso dizer, sem medo de errar, que ele foi o primeiro a falar sobre uma doença que estava ocorrendo e sendo descoberta na Europa, no início dos anos de 1980, através de um vírus que atacava as defesas imunológicas das pessoas e estava causando muita preocupação e apreensão no mundo científico. Mais tarde ficamos sabendo que aquilo era a AIDS, que depois ficou mundialmente conhecida, pela propagação da doença mundo afora.
 
Carmo trabalhou em muitas profissões antes de se tornar escritor e jornalista. Uma delas, que pouca gente sabe, foi a de Dentista. Meu amigo e assessor Jayro Rodrigues conta um episódio marcante de sua vida. Certa feita, em Anápolis, sua primeira dor de dente o levou ao dentista. Quem era o dentista? Carmo Bernardes. Ele se lembra disso com grande alegria. Primeiro, porque ficou sem a dor; depois, porque conviveu futuramente com Carmo e passou a admirá-lo como pessoa e escritor.
 
A literatura de Carmo resgatou a vida do homem simples, com o qual ele interagiu, inserindo todas as nuances da natureza que o cercou. Soube, como poucos, tocar em nossas vidas e aguçar nossa sensibilidade, com os mundos que criou para inúmeros personagens, que povoam nosso imaginário sertanejo, caboclo e caipira. Carmo Bernardes deixou um legado muito importante para Goiás e o mundo, e este artigo tem o condão de enaltecer seu trabalho e falar dele para as novas gerações. Além de agradecê-lo do céu onde ele está, ajudando Deus a escrever mais certo ainda.
 
*Marconi Perillo é governador de Goiás
 

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