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Adriano Paranaíba

Economia e Lantejoulas

O que realmente a festa traz para o Brasil | 16.02.12 - 22:48

Todos os anos, escuto sobre os diversos impactos positivos do Carnaval, sejam eles sociais, econômicos, e sobre a importância da festa na inserção do Brasil no Turismo Internacional. Não quero ser o porta-bandeira da causa dos caretas que são contra o evento, mas percebo uma falta de harmonia entre o discurso e o que realmente esta festa traz para o Brasil.

Seguindo a lógica dos economistas Keynesianos, que apostam que o governo deva intervir com gasto para gerar demanda, e assim aquecer a economia, o Brasil despeja rios de dinheiro na promoção desta festa. Também, a comissão de frente defensora do Carnaval consegue atribuir à festa uma contribuição na formação cultural da sociedade. Contudo, este enredo me faz lembrar uma antiga estratégia do Império Romano conhecida como “pão e circo”, para libertar o povo de suas aflições, garantindo um pouco de diversão à massa sofrida. Além disso, por melhor que os carnavalescos criem belas histórias, eu desafio o leitor a me contar o samba-enredo de pelo menos duas escolas de samba do ano passado. É mais fácil se lembrar de uma aula de história da infância ou adolescência, que é o que de fato o que colabora com a formação do brasileiro.

Com certeza existe um aumento do consumo, dinamizando a economia, mas incorre no aumento de muitas externalidades negativas que contribuem para a deterioração social do Brasil: o aumento de acidentes, causados pelo aumento de consumo de bebidas alcoólicas, transformam os hospitais em um cenário de front de guerra. Somado com isso, existe um aumento do efetivo de policiais nas ruas, que o trabalhador não tem disponível no seu dia a dia. E se houver greve dos policiais – exigindo salários dignos - para proteger o folião, até o exército entra em cena para que, este ser iluminado com samba no pé, não tropece em pedra alguma em seu dançar cambaleante.

O folião na quarta-feira de cinzas volta a ser o João, o Zé, e não encontra outra opção para resolver suas dificuldades da vida: corre para comprar o abadá dos carnavais fora de época, que ocorrem durante todo o ano, transformando o estivo de vida do brasileiro em um eterno integrante de bloco. 
 Mas para a professora de história, para o policial, para as condições dignas, não há orçamento suficiente. Quando o bonde do desenvolvimento passar, e percebermos que o Brasil poderia ter crescido mais, e de uma forma melhor, investindo na solução de diversos gargalos estruturais, já temos um culpado para depositar nosso veredito: a culpa é da lantejoula!

Adriano Paranaiba é economista
 

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