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Pablo Kossa
Pablo Kossa

Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG / pablokossa@bol.com.br

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Vamos falar sobre Cuba?

Ilha deve ser tratada sem maniqueísmo | 06.02.14 - 21:37

Cuba voltou à pauta nacional com o pedido de refúgio da médica Ramona Matos Rodrigues. Toda vez que a palavra Cuba é citada no noticiário, me bate uma preguiça lascada. Tem início outro Fla x Flu onde a racionalidade fica longe.

A impressão que dá é que para determinada parcela da população brasileira, o nome do país é sinônimo de paraíso, céu ou qualquer outra coisa que tenha relação com o divino. Para outra parcela, imediatamente se relaciona ao inferno, às bestas do apocalipse invadindo a Terra levando pânico e horror. Um maniqueísmo bobo, chato e que joga uma neblina na hora de tentarmos enxergar a questão de um ângulo mais amplo.

Somente a cegueira ideológica não permite ver que é um absurdo sem tamanho alguém não ter o direito de sair de seu País ou trabalhar onde desejar. Tenho como princípio que ninguém pode ser obrigado a viver onde não queira, a trabalhar onde não queira. Não há a menor razoabilidade de defender algo que não respeita o direito maior do ir e vir do ser humano. Qualquer tipo de prisão política é inaceitável. E dizer isso não significa que eu sou capacho dos Estados Unidos ou capitalista sanguinário.

Por outro lado, novamente só a cegueira ideológica pode impedir a percepção de que Cuba inegavelmente exibe índices sociais na saúde e educação superiores aos seus vizinhos caribenhos. Por exemplo, as taxas de analfabetismo e mortalidade infantil na ilha comandada pelos irmãos Castro há mais de meio século são reconhecidas pela ONU como referências para a região. É elementar que se comparada aos países do topo da tabela de desenvolvimento humano, Cuba está distante. E por isso que o justo é colocar a realidade cubana em perspectiva diante dos países que estão ao seu redor. E dizer isso não significa que sou capacho de Fidel Castro ou comunista sanguinário.

Temos que tentar ser mais maduros e menos passionais quando tratamos de Cuba. A experiência que o País vive a mais de meio século é singular no mundo e por isso atrai tanta torcida: contra e a favor. E tome radicalismo de tudo quanto é lado. E tome discurso inflamado de tudo quanto é lado. E tome coração de tudo quanto é lado.

Enquanto tratarmos Cuba igual ao time que amamos ou detestamos, vamos sempre nos portar como torcedores de arquibancada e não como analistas de uma experiência super particular. E é exatamente por isso que o país merece nossa atenção. 


Comentários

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  • 23.02.2014 22:13 Aurelio Cesar Stupp

    Belo texto, parabéns. Concordo com você na questão do radicalismo pró e contra, eu sou radicalmente contra, não aceito que as decisões de uma Nação inteira seja tomadas por uma única pessoa e por décadas, que não se tenha direito, apenas deveres. A tempos atrás li a matéria de um jornalista que ficou um mês lá com visto de turista e depois relatou tudo o que viu na ilha. As pessoas lá não conhecem shampoo, sequer sabonete usam, sabonete é artigo de vitrine de boutique de luxo onde só a elite consegue comprar, o povo em geral só toma banho com sabão caseiro, que eles próprios fabricam com restos de óleo e banha misturados com soda caustica, não são donos da própria casa, se houver um cômodo vazio, o governo aluga e fica com o dinheiro, os que moram na casa podem faturar uns míseros trocados lavando as roupas e limpando o cômodo do "inquilino", sinceramente isso não é vida, e também não é isso que espero meu país se tornar. Sendo assim sou radicalmente contra. Abraço!

  • 07.02.2014 15:31 Luiz Fernando de Lima

    Bonito texto, porem infelizmente você como a grande maioria não tem acesso a realidade dos fatos. Taxa de mortalidade infantil baixa, com certeza, afinal morei lá e sei bem como funciona. Lá somente é considerada mortalidade infantil os óbitos após 45 dias de vida, antes disto não são computados, assim fica fácil, não? 90% dos óbitos ocorrem no parto e logo após. Os dados referentes ao analfabetismo são todos manipulados pelos ditadores, para venderem Cuba para o mundo, vai lá contestar o governo para ver meu amigo. Não dá para fazer vista grossa para essa ditadura, não existe argumento, não tem como defender aquele país. Quer falar a verdade sobre Cuba? Devemos deixar de ser manipulado pelos dados e irmos até lá passar uma temporada. Boa tarde

  • 07.02.2014 15:30 Carlos Eduardo Ramos Jubé

    Eu concordo inteiramente com o seu texto Pablo Kossa, mas infelizmente, a radio interativa, local que você trabalha, que eu ouço por tratar de temas interessantes no falando sério ou no Papo Cabeça, ou ainda no DQD não tem levado a sério este assunto. Os comentários contra os cubanos são dos mais infelizes, num dos programas começaram a falar inverdades sobre Cuba e sobre seu regime, não quer dizer com isso que eu esteja defendendo o regime etc. Um dos participantes, não me lembro o nome, chegou a dizer que Cuba era tão atrasado que apenas circulava por lá, carros da época soviética. Isso não é verdade!! Eu estive lá em novembro e vi de perto diversos carros circulando, sendo a maioria dos carros antigos é certo, muitos carros soviéticos (o lada), no entanto, tem carros da peugeot (francês), Hunday (coreano), também vários carros chineses. Os Onibus são todos chineses e uma frota nova a dos turistas. Notei um povo alegre e sobretudo livre (tem travestis nas ruas livremente), festeiro e, claro, pobre, mas nenhum passava fome, isso porque fiz amizade com um cubano morador, ele me informou que cada morador tem sua cota de alimentos, você não tem variedades, entretanto, tem 3 alimentações por dia. A religião é livre, sendo a maioria professa a SANTERIA, uma espécie de candomblé. Não há mendigos pelas ruas de Havana e tampouco moradores de ruas, mas enquanto turista (praticamente é o que da dinheiro ao país), há centenas de cubanos (chama Jineteros) a te importunar, pedindo para prestar serviços como guia ou te apresentar a um restaurante, te levar a determinado local. Eles reclamam que a imprensa não é livre, o que me impressionou é que o índice de violência urbana é quase zero, não há registro de furtos e roubos aos turistas.

  • 07.02.2014 15:24 Cátia Moreira Pascutti

    Os brasileiros, infelizmente, possuem uma visão unilateral, agora então com a injeção bilionária do Brasil, por conta do porto de Mariel, haja opiniões sem conhecimento. O que falta ao nosso Brasilzão.. é só informação, informação crítica, sem empáfias. Parabéns!!

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