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Sarah Mohn
Sarah Mohn

É jornalista graduada pela UFG e especialista em Comunicação Empresarial e Publicidade Estratégica. Nesta coluna, escreve artigos de opinião / sarahmohn@gmail.com

Meias Verdades

Goiânia não é uma cidade sustentável

| 24.08.15 - 15:48

PAISAGEM DE TRECHO DA AVENIDA GOIÁS NO DOMINGO (9/8) (FOTO: MÔNICA PARREIRA)
 
Sarah Mohn
 
Goiânia – Mesmo para quem nem era nascido, algumas campanhas eleitorais fizeram tanto sucesso à época que até hoje é possível recordá-las.
 
“Lulinha paz e amor (Luiz Inácio Lula da Silva, 2002)”; “Tá certo, Paulo Roberto (Paulo Roberto Cunha, 1990)”; “Caçador de Marajás (Fernando Collor de Mello, 1989)”; “O Tempo Novo (Marconi Perillo, 1998)”; “O povo no poder (Iris Rezende, 1982)”; “Varre, varre, vassourinha (Jânio Quadros, 1960)”. E por aí vai.
 
Quando bem trabalhado, o marketing político cai no gosto popular e vira case de sucesso. Seja pela comicidade, pelo slogan criativo, pelo jingle divertido, pela temática adequada.
 
Nesse rol de lembranças políticas, considero que a estratégia de marketing da campanha do prefeito Paulo Garcia à reeleição, em 2012, também pode se enquadrar numa linha de destaque.
 
Não votei nele, não voto no PT. Nunca sequer votei no Lula, como a maioria esmagadora da população fez. Aliás, meu único voto nessa legenda foi dado à deputada Marina Sant’anna, mais por admiração à candidata do que pelo partido ao qual ela pertence.
 
Mas confesso que admirei a qualidade e a criatividade da comunicação daquela campanha de Paulo Garcia. “Goiânia, Cidade Sustentável”. Temática ousada, moderna e atual. Comunicações on e off-line muito bem integradas. Foi uma receita de sucesso. Mas só. Tudo não passou de propaganda.
 
A gestão do prefeito tem mostrado que aquele marketing eleitoral nada mais era do que proselitismo político. Até agora, com dois anos e meio de Paulo Garcia reeleito, ainda não vemos em Goiânia nada de cidade sustentável.
 
O que há de ações sustentáveis por aqui, prefeito? A pequena porção de ciclovias, que não atende a demanda de transporte alternativo? O permanente incentivo ao uso de carro próprio como meio de locomoção?
 
A ideia de fechar ruas aos fins de semana para a prática de esporte e lazer é maravilhosa e fundamental, mas bicicletas por aqui estão longe de serem priorizadas como opção de mobilidade.
 
Paulo Garcia sequer cogita iniciar a construção de metrô na capital. E confirmou isso a mim, em entrevista concedida ao jornal A Redação no mês de maio. “Metrô é muito caro e, para a demanda que nós temos pelo transporte coletivo, o BRT e o VLT são soluções que se antecedem ao metrô. Nós temos recursos para isso? Não temos.”
 
Não temos recursos, então fim de história? A melhor saída é abortar a ideia? Para o prefeito, infelizmente, parece que desistir é mais fácil do que ter coragem de tentar.
 
Goiânia não é uma cidade sustentável e não caminha nesse sentido. Goiânia é uma cidade impermeabilizada e sua administração não se preocupa com a permeabilidade do solo.
 
Goiânia não é uma cidade sustentável, se serviços essenciais, como a coleta de lixo, volta e meia deixam de ser prestados. Eu, particularmente, não aguento mais ler nos jornais denúncias de que o lixo não é coletado no bairro x ou y.
 
Goiânia não é uma cidade sustentável, se mantemos até hoje o Rio Meia Ponte como um dos mais poluídos do país. Ou se o Aterro Sanitário de Goiânia vem poluindo o lençol freático com chorume. Sem contar nos lagos imundos que figuram nos parques da cidade.
 
Ah, os parques. Nos últimos anos, os parques em Goiânia têm ficado meses sem manutenção. Fiquei abismada com o tamanho do mato no Parque Beija-Flor, recentemente. Parece que agora fizeram a roçagem lá. Mas quanto tempo o lugar ficou sendo foco de Dengue e espaço inóspito para convivência? E o Macambira-Anicuns? Um elefante branco que nunca sai do papel.
 
Goiânia não é uma cidade sustentável, se a quantidade de lixo que é destinado à reciclagem é ínfima. Não há ações permanentes de reciclagem e não há dados que comprovem à população o quanto de resíduos tem tido a destinação ideal. Nem mesmo incentivo ao Carbono Zero se discute no Paço Municipal.
 
Goiânia não é uma cidade sustentável, se seus gestores optam por derrubar árvores para construir o Bus Rapid Transit (BRT) ou o que quer que seja. Não pode ser sustentável uma cidade que vê derrubados seus flamboyants nos canteiros da avenida Goiás Norte, retiradas palmeiras imperiais na avenida 85 e cortadas outras dezenas de árvores em Campinas e no Parque Botafogo.

Deveriam priorizar o reflorestamento urbano, a coleta seletiva, a redução do consumo de água, o incentivo à produção e comercialização de moda sustentável, a inclusão de educação ambiental no currículo escolar da rede pública, a revitalização do centro da cidade, a (re)ocupação de espaços públicos, a implantação de políticas públicas para economia criativa etc. Mas prioriza-se a derrubada de árvores. A incoerência com o slogan de campanha é sem limites.
 
Paulo Garcia parece ter decidido começar a trabalhar, e as obras do BRT aparentam isso. Mas tem metido os pés pelas mãos. E enquanto a mentalidade do prefeito se pautar pelo imediatismo e pelo desespero de correr contra o tempo para fazer o que não fez em dois anos e meio, Goiânia continuará longe de ser uma cidade sustentável. É lamentável.

Comentários

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  • 27.08.2015 21:55 Renata

    E antes que me interpretem mal: Vejo muito disso também no governo estadual. Para mim, a política atual em si já está uma mutação do que deveria ser. Toda contaminada. O fato de ela ser assessora de imprensa no estado não me fez discordar no geral deste artigo dela. Não estou aqui pra julgar o trabalho e obra publicitária de x ou y. Agora, se o que foi escrito não for o que a pessoa pensa e só jogada de marketing digital.. triste pra quem se vende. Neste caso, neste artigo, gostei de ler. Ou vc vê toda essa sustentabilidade da mídia no seu dia-a-dia??

  • 27.08.2015 21:35 Renata

    Sim! Parabéns pelo texto! Me senti até aliviada em meio a tanta distorção publicitária que temos por aí. Realmente muito triste o que aconteceu com a Goiás Norte. Na época dos Flamboyants.. fim de ano.. era lindo! Flamboyants em tons de iluminar a vida! Não sei se seria tão caro assim transferir as árvores assassinadas (sim, era possível), de qualquer forma parece que nem se cogitou. Vamos plantar espécies nativas sei lá onde.. ah.. então ok! Debate sobre metrô a parte, atualmente não estamos essa cidade sustentável das campanhas publicitárias meesmo! Espero que no mínimo a coleta seletiva se firme de volta. Com o tempo e acompanhando a situação dessa atual "gestão" municipal (e nacional.. e geral!) a política se mostra cada vez mais nojenta e mentirosa. Pessoas vendidas por cargos, realidade que vc vive e sofre na pele maquiada por jornalistas assessores .. é revoltante. Talvez até se a pessoa aí questionada por ser ou não servidor municipal trabalhasse no município e passasse pelo que a maioria dos servidores comuns e sem "padrinhos" têm passado, teria uma outra visão, se não revolta. Achei pesado o comentário da pessoa atacando com tanta ira. Então vc parte da linha de que se ela trabalha no estado ela deve ser partidária do governador? Como assim?? Se vc está no município vc apoia, concorda e defende o prefeito? Ninguém tem opinião própria nem senso crítico?? Estranho.. Não merecer ser publicado??? kkkkkk demais hein!? Tanta coisa que nos deparamos por aí sem nem edição ou o mínimo de coerência.. Li como um artigo dela, e concordo! Não pode? Vai ler o site da prefeitura então.. tudo condizente com a realidade e bem merecedor de ser publicado! E viva a gestão e planejamento sustentáveis!!

  • 25.08.2015 21:04 Paulo Victor

    Ridículo, Nanda, é quem não consegue receber crítica e tenta desqualificá-la. Não, não trabalho na Prefeitura de Goiânia, mas o que fiz foi deixar claro que quero o bem da minha cidade e independente de questões políticas. O meu nome é Paulo Victor Rodrigues Xavier e me faça um favor. Verifique junto à prefeitura se meu nome consta na folha de pagamento deles. Agora, já pesquisei e vi, a autora deste texto está na folha de pagamento do governo do Estado de Goiás, que atualmente tem um tucano a frente dele e faz oposição ao partido do prefeito. Estou mentindo? E outra coisa, pelo que entendi, você e a Sara Monh são especialistas em construção de metrô e/ou VLT. Sendo assim vocês conseguiriam construir esses meios de locomoção sem derrubar nenhuma árvore é isso?

  • 25.08.2015 19:48 Nanda

    Assessores de imprensa da prefeitura em peso aqui para defender o prefeito e seus desmontes. Hilário!!!!!! Metrô funciona em qualquer parte honesta do mundo, menos no Brasil. Tá ridículo, assessores. Feio demais esse papel de capangas do indefensável.

  • 25.08.2015 15:59 Yuri

    Sarah, só para esclarecer que o Metrô é de longe o modal de transporte público que mais agride o meio ambiente, primeiro por sua característica de trilhos, obrigando o trajeto a ser mais retilíneo e de difícil adaptação com o mobiliário urbano. O Vlt em contraponto, permite uma maior adaptação a topografia da cidade, além de consumir menos energia. O Metrô, no "mundo desenvolvido" já esta se tornando obsoleto, pois além de exigir vultuosos recursos financeiros, necessita de um projeto e engenharia de ponta. O Vlt está sendo implantado na Europa com grande sucesso de público e crítica e a meu ver é a melhor alternativa para complementar o modal de transportes da região metropolitana de Goiânia que já conta com BRT.Até mais.

  • 25.08.2015 11:04 Paulo Victor

    O texto termina assim: "É lamentável". Sabe o que é lamentável, Sara Mohn? Alguém ter disponibilizado espaço para que você publicar algo tão tendencioso. É claro que da mesma maneira que com certeza vai respeitar a minha opinião estou aqui me esforçando para tentar respeitar a sua. Não, não consegui. Seu texto não merecia publicação. A começar da quantidade de desinformações. Em que País a maioria esmagadora da população não elege e reelege uma pessoa? No Brasil não é. Se vc não votou a maioria do povo brasileiro não só votou uma vez, mas sim, duas. Está lembrada? E outra coisa, quando falamos em desenvolvimento não estamos falando de sustentabilidade? Até onde sei para o desenvolvimento de cidade é necessário que algumas demandas sejam feitas. Será que a quantidade de pessoas atendidas no BRT não supera o impacto ambiental? Por sinal, fiquei sabendo que haverá a compensação ambienta por parte da prefeitura. O que não podemos aceitar nobre jornalista, que tem cargo no governo estadual, é esse tipo de opinião com um único objetivo: atacar, simplesmente atacar, quem está fazendo algo pela cidade. É triste saber que questões políticas nesse Estado superam de tal maneira as questões administrativas. Isso sim é lamentável.

  • 25.08.2015 10:04 Cristiane Silva

    Texto mal intencionado e já começa com informação, no mínimo, errada. Maioria esmagadora não votou num presidente que foi reeleito e encerrou o mandato com aprovação de 83%? Quanto a Goiânia, concordo que não é nem um modelo de sustentabilidade, mas não se pode desmerecer a gestão de Paulo Garcia que tenta conduzir a cidade para esse caminho. Tudo tem um começo, que não é fácil, e vejo esse começo em Goiânia, várias ações, pela primeira vez na história da cidade, que podem levar a cidade a ser sustentável. É preciso reconhecer isso. O texto é tão contraditório que a jornalista fala em metrô como se fosse a salvação do transporte público e critica a retirada de árvores para passagem do BRT. E a construção do metrô seria possível sem agredir o meio ambiente? Textos assim desanimam a gente. É o uso desonesto d um espaço tão bacana como são os meios de comunicação.

  • 25.08.2015 08:08 Andre Lima

    Parabéns Sarah. Ótimo texto, infelizmente tudo que você escreveu é verdade. Goiânia foi entregue à um gestor sem competência na área da administração pública. Encher a cidade com obras faltando poucos meses para a próxima eleição, já é tática ultrapassada, não cola mais. Os problemas principais de transporte, saúde e educação perduram e pra piorar nem limpar a cidade estão sendo capazes de realizar. Obras na praça, BRT, fechar as ruas pra lazer é muito pouco frente ao que Goiânia merece. Abraço.

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É jornalista graduada pela UFG e especialista em Comunicação Empresarial e Publicidade Estratégica. Nesta coluna, escreve artigos de opinião / sarahmohn@gmail.com

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