Carolina Pessoni
Goiânia - Em meio ao ritmo acelerado do Setor Coimbra, região central de Goiânia, existe um lugar onde o tempo parece se suavizar. Entre árvores que hoje oferecem sombra generosa, risadas de crianças que correm pelo parquinho e passos apressados que se transformam em caminhadas leves, ergue-se um coração vermelho. Ele não é apenas de ferro e tinta: é um coração que pulsa histórias, memórias e afetos.
Na Praça Professor Gumercindo Inácio Ferreira, batizada pelo povo como Praça do Amor, cada cadeado preso ao monumento guarda um compromisso, uma lembrança ou um gesto de carinho. São símbolos silenciosos que falam alto sobre o desejo humano de eternizar sentimentos. É ali que a cidade oferece, gratuitamente, um cenário para encontros, para o lazer comunitário e para o cultivo do que há de mais simples e, ao mesmo tempo, mais essencial: a convivência.
A revitalização da praça foi fruto de uma parceria público-privada entre a Prefeitura e hipermercado localizado em frente ao espaço. Coube ao arquiteto Leandro Brandão e à sua equipe a missão de repensar o local e entregá-lo à população como um ponto de encontro e pertencimento.
Teatro de Arena faz parte dos equipamentos públicos da praça (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
“Foi um processo desafiador, porque precisávamos atender tanto às exigências do cliente quanto às da prefeitura. Já existia uma feira ali, que precisava de espaço próprio sem atrapalhar o trânsito”, explica.
Ao mesmo tempo, era preciso pensar em equipamentos que realmente fossem usados pela população, como playground, pet place, pista de caminhada, aparelhos de ginástica, lanchonetes, arena cultural e até um espaço para skate. “Queríamos um equipamento urbano completo, que pudesse atender a diferentes públicos”, recorda Leandro.
O coração da praça, porém, nasceu de uma inspiração que veio de longe. Durante viagens por Paris, Londres e cidades alemãs, o arquiteto percebeu a força simbólica de monumentos urbanos capazes de reunir pessoas em torno de memórias e sentimentos.
“Naquele período, Goiânia vivia o sucesso do ‘Eu Amo Goiânia’, na Praça do Sol. Então pensamos: por que não criar aqui um coração, que pudesse simbolizar laços e afetos? Foi quando surgiu a ideia de incluir o monumento e o espaço para os cadeados. Isso acabou marcando a praça e lhe rendeu o apelido de Praça do Amor”, explica.
Estrutura da praça contempla equipmaentos de lazer e espaço para realização de feiras e outros eventos (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
O resultado foi imediato: casais começaram a prender cadeados no coração, famílias e amigos também encontraram ali um espaço para deixar registros afetivos, e a praça se tornou palco de histórias. “Foi nosso primeiro projeto de escritório, e ver a aceitação do público é muito especial. Hoje, a praça tem feiras organizadas, trânsito fluindo, empregos informais surgindo e, principalmente, pessoas vivendo o espaço. Eu mesmo, que morava ali perto, frequento e sinto orgulho do que foi construído”, completa o arquiteto.
A presidente da Agência Municipal de Turismo e Eventos (GoiâniaTur), Nárcia Kelly, destaca esse mesmo caráter afetivo ao falar do espaço. A inspiração, para ela, é evidente. “O coração da Praça do Amor convida casais, famílias e amigos a registrarem vínculos por meio dos cadeados. É um gesto muito simples, mas carregado de significado. Eu sempre lembro de um poema que gosto muito: amor é querer estar preso por vontade. Para mim, o cadeado simboliza exatamente isso: uma escolha de união. Acho a coisa mais linda”, afirma.
Para além do símbolo, a praça cumpre um papel de integração social e cultural. “Ela coloca o Setor Coimbra no mapa turístico e afetivo da cidade. É um cenário que acolhe diferentes públicos, amplia opções de lazer gratuito e contribui para fortalecer a identidade cultural da capital. Para mim, é uma das praças mais bonitas de Goiânia e, sobretudo, um espaço que celebra o sentimento mais nobre de todos”, reforça a presidente.
Com jardins, parquinho infantil, arena cultural, pet place, aparelhos de ginástica e a feira reorganizada, a Praça do Amor é hoje um espaço que vai além do urbanismo: é um cartão-postal vivo da cidade. “Cada cadeado preso ao coração vermelho é mais que metal, é uma história que se funde à memória coletiva, eternizando encontros e afetos no coração de Goiânia”, encerra.